20 julho, 2007

Excepção

Normalmente não comento noticias nacionais e actualidades, há suficientes blogues para fazer isso por aí. Mas isto é demasiado grave para não ser comentado, denunciado, o que quer que seja.

As confederações patronais pretendem que venha a ser possível o despedimento por motivos políticos ou ideológicos, defendendo por isso o fim do artigo da Constituição que impede esta possibilidade. Em conunicado, estas confederações defendem ainda a limitação da greve aos interesses colectivos profissionais.


Não sei o que esta gente tem na cabeça, mas a impunidade tem que ter limites. Não os podemos despedir do país? Por razões ideológicas.

Adenda: Um pouco mais a frio creio que isto é capaz de ser um caso clássico de uso da Janela de Overton. Propõem-se uma série de medidas, uma das quais completamente escandalosa, e as outras face a esta ficam a parecer mais razoáveis. O importante é perceber isso e não ceder a nenhuma.

8 comentários:

FeminineMystique disse...

além de despedir os patrões, há que não nos calarmos perante mais um atentado contra a liberdade de expressão.

Reforço a minha proposta de Primavera-Verão: http://obitoque.blogspot.com/2007/07/moda-primavera-vero.html

Once In a While disse...

Kant perguntou há tempos “como são possíveis juízos sintéticos à priori ..” .. esta dúvida, como a qualquer filósofo que se preze, deu origem a um portentoso livro de 800 páginas ..

Eu .. que de filósofa prussiana tenho pouco atrevo-me a outra citação “O respeito é uma das qualidades que temos para nos podermos relacionar com as outras pessoas.
Respeito é o direito de nos expressarmos sem que se sofra algum tipo de repressão, castigo ou punição.”

Haja respeito!

(PS_ bem vinda esta excepção)

Mike disse...

A Democracia tem destas coisas. Vivendo num estado democrático, as confederações patronias* são livres de propôr o que melhor lhes convém. Ou não? Vai uma grande diferença para países, outrora idolatrados por alguns defensores da liberdade, em que confederações patronais ou de outro género, decidiam e executavam sem discussão e sem dar ouvidos às vozes que, legitimamente se levantassem. E ainda os há. Leio o post e os comentários e pergunto-me se não estou em presença de defensores do ancestral Código de Hamurabi dos tempos do Império Babilónico e baseado nos livros da Bíblia. Olho por olho, dente por dente? Não se esqueçam que existe uma Constituição.

* Não sou patrão nem tão pouco defensor do que as confederações pretendem.

L. Rodrigues disse...

Pois existe uma constituição. O ponto disto tudo é quererem mudá-la.

Mike disse...

E a Constituição devia ser eterna? Lembras-te quando ela foi feita? Achas que mudou alguma coisa desde lá até agora? Concerteza sabes o que é preciso para a mudar. Vou ter que ser ouvido e posso sempre dizer NÃO.

Once In a While disse...

existe sim mike .. mas uma constituição e uma democracia sem respeito e acima de tudo sem bom senso, não nos servem de grande coisa .. digo eu.

L. Rodrigues disse...

Certo mike. 2/3 e prazos para mudar estas coisas.

Mas como dizia o teu herói kissinger:

"O que é ilegal faz-se de imediato, o que é inconstitucional demora um pouco mais de tempo."

A verdade é que não acredito que viessem falar disso se não achassem que o clima é propício... isso é que me preocupa.

Mike disse...

once, diz acertadamente.

l. rodrigues, quando o clima da nação é de asfixia (isso sim, preocupa-me e muito), torna-se propício a propostas deste tipo. Tinhas que me atirar com o Kissinger, mais tarde ou mais cedo... ;)