19 janeiro, 2006

Liberdade, livre arbítrio, responsabilidade.

Uma noção de que fui dando conta, e artigos recentes que li aprofundaram, é que as pessoas não têm verdadeiramente ideia das razões porque fazem muitas coisas.

A psicologia tem vindo a descobrir factos muito curiosos. Coisas que ninguém admite mas que toda a gente faz num momento ou noutro. Como dar mais importância a uma pessoa apenas porque é mais alta. Ou ter um comportamento mais agressivo porque estivemos expostos a uma mulher bonita. Fazer coisas estúpidas apenas porque achamos que há uma autoridade superior que a isso nos obriga. No caso das mulheres, serem mais infieis no seu periodo fértil.

Podemos perguntar a cada pessoa o que faria nesta ou naquela situação, e o mais certo é termos uma resposta que é apenas o que a pessoa considera correcto ou seguro. Mas que pouco ou nada tem que ver com a realidade.

A verdade é que somos movidos em grande parte por mecanismos que nos ficaram de muitos milhares de anos de selecção darwiniana. Somos muito mais irresponsáveis do que pensamos.
Somos inimputáveis. O nosso quotidiano está cheio de insanidades temporárias.

E depois há os profissionais do embuste, como os políticos, os vigaristas e os publicitários. Eles mais não fazem do que activar os nossos automatismos. E nós, cheios da nossa ilusão de sermos seres livres e racionais, caímos em toda a espécie de esparrelas para depois assumirmos alegremente toda a responsabilidade.

Afinal, ninguém gosta de ser confrontado com a sua própria menoridade, não é?

7 comentários:

Anónimo disse...

Viva o caos que é a tua cabeça. Na designada Teoria do caos de Stuart Kauffman do Santa Fé Institute, tudo o que é interessante no Universo desenvolve-se na fronteira entre a ordem e o caos.Eu que sou a "Ordem" em pessoa, virei aqui com certeza todos os dias;)
:P
A.

L. Rodrigues disse...

Todos os dias... acho que não sei no que me meti...

Anónimo disse...

Determinismo ou livre-arbítrio, eis a questão. A fatalidade do destino quis que eu visitasse este blog. A minha liberdade, por outro lado, leva-me a visitá-lo todos os dias. Continua a saciar a minha vontade ;)

L. Rodrigues disse...

We aim to please.

João Villalobos disse...

Ena, já há fãs anónimas e tudo...;)

L. Rodrigues disse...

Acho que não são anónimas de propósito.

Zé Pedro do Amaral disse...

A Teoria do Caos não tem nada a ver com o caos de uso vernacular. Um sistema caótico é um sistema determinístico de resultados imprevísiveis (quando as condições iniciais são desconhecidas). No seu uso vernacular, a palavra caos refere-se a sistemas estocásticos.

Agora se o que enche a cabeça do Luís é estocástico ou determinístico...