18 dezembro, 2008

O medo do conhecido

Nestes tempos de incerteza mesmos alguns dos que se consideram mais informados, esclarecidos e influentes parecem paralisados. O mundo tem que mudar, mas ninguém sabe como nem para o quê. Alguns percebe-se porquê. No meio de todos os tumultos e depressões mantém posições de poder. Mexerem-se numa qualquer direcção pode significar descer um degrau, dois ou todos.

Mas a maior parte de nós não tem tanto a perder. Tem apenas a convicção de que nada pode ficar como dantes. Mas quando se fala em “antes” há que esclarecer.

A situação a que chegámos é fruto de uma série de movimentos intelectuais, políticos e económicos que tiveram lugar nos últimos 30 e poucos anos.
Se formos mais antes, podemos observar de ambos os lados do atlântico, segundo todos os indicadores, o que foi o período de maior riqueza e justiça social da história da humanidade.

No pós-guerra foi possível criar projectos de sociedade e governação que eram inclusivos, que mantinham as economias saudáveis, que proporcionavam saúde e educação a largas faixas da população. De uma forma geral é a isto que chamo Social Democracia. Se era feita por Socialistas ou trabalhistas ou democratas cristãos, republicanos ou democratas é indiferente. Mas foi um período melhor do que os anteriores, melhor do que os que vieram depois.

A história não é circular, as coisas evoluem. Hoje não é o aço ou o carvão. Ou pelo menos não deveria ser. Hoje não há (formalmente) colónias em África, e os direitos humanos são reconhecidos por quase todos.

Mas estou convencido de que não há que ter medo de experimentar o que já resultou antes. Refrescado, aligeirado aqui e ali, reforçado onde for preciso.

Nunca esquecendo que não é um sistema perfeito. Porque se fosse, não teria dado origem ao que lhe sucedeu.

4 comentários:

Mike disse...

Gostei de ler.

A & D disse...

É por esta sensatez em poucas e acertadas palavras, entre outras coisas bem mais especiais, que yo te gusto e pronto. Lembrei-me duma coisa curiosa, os primatas, bebés, ou todas as espécies de que me lembre, não têm medo de descer. Teremos a cabeça demasiado elevada? Vertigens? O oxigénio chegará rarefeito? Mas descer custa assim tanto, e seremos assim tão mal amados de facto se descermos? Ele há coisas que eu me pergunto...

E porque te quero "enbergonhar" descaradamente hoje, que não te consigo apanhar doutra forma, abre lá este link faxavor: http://www.youtube.com/watch?v=KfvuYUjnuyY

From the blogworld, with love, happy birthday:PPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPPP
A and D

L. Rodrigues disse...

obrigado, mike
obrigado A&companhia, abri o link :)

once disse...

"e os direitos humanos são reconhecidos por quase todos. " .. quase, maldita palavra que faz emperrar o sistema .. o tal :)

Caro L. sempre uma mais valia enquanto leitora o frequentar esta sua casa.
Faço votos que continue como o conheço :) e desejo-lhe umas Festas Felizes.