23 setembro, 2008

As crianças dos homens.





Aqui há uns meses tive oportunidade de ver o filme "Children of Men". É uma história passada num futuro próximo, hipotético, onde uma epidemia esterilizou a espécie humana. Há 18 anos que não nasce um bébé.
A acção está envolta em contorno politicos para mim pouco claros. Há um estado policial. Há uma forte repressão a imigrantes, presumo que ilegais mas nem isso é evidente, que são arrebanhados em campos para repatriação. Há uns terroristas que não se percebe bem o que querem.
Nem tudo me parece coerente com o facto enorme de a humanidade enfrentar o fim.

Que é que significaria então a vida sem crianças?
Que é que poderia haver de errado numa vida de sexo sem preocupações, sem a responsabilidade de educar ainda mais outra geração, sem ter que gastar dinheiro em escolas e vacinas e no canal Panda? Poder falar à vontade, dizer palavrões, ter uma televisão para todos que é para maiores de 18 anos. Não ter que ouvir uma birra num restaurante ou na secção de brinquedos do hipermercado, que continuaria a existir mas com uma Barbie diferente. Não ter que explicar aqueles complicados factos da vida. Não pisar legos no corredor quando vamos descalços para a casa de banho.

Seria assim tão mau? Cada um viveria a sua vida na mesma, afinal. Ninguém está destinado a mais do que isso. Ninguém vive a sua vida impregnado da noção de espécie. Ninguém se reproduz para conscientemente perpetuar o seu pool genético e daí tirar o significado e valor da sua existência.

O filme dá a resposta, ou pelo menos eu tirei-a dali. Formulo-a invertendo o ditado. Só há vida se houver esperança. E sem crianças, ela morre à nascença.

5 comentários:

Once disse...

por falar em honestidade não é?
Gostei.

L. Rodrigues disse...

Obrigado, Miss Once.
Por vezes não tenho nada de polémico para dizer, mesmo :).

José, o Alfredo disse...

Esse filme, se o viste há uns meses e agora te suscita um post apolémico, deve ser dos tais que 'grows on one'.

E no tal enquadramento há pelo menos uma coisa que parece fazer bastante sentido: os terroristas que não sabem o que querem.

Tens isso em DVD (presumo que não o tenhas apanhado no Panda)?

Hoje sou Ana, e porque não? disse...

O blogler captou (há quanto tempo já?;)) o verdadeiro sentido da vida. O absurdo e corrosivo do "The meaning of life", contornou o excesso pelo outro lado do circulo. Bons filmes, melhor bloger!
A foto, a foto, a registar o talento das fotos, atenção a este bloger-fotógrafo.

mike disse...

L., ali a meio do teu post (e que post, meu caro!) dei-me conta que me estava a agradar o que lia. Sabes, aquela parte em que perguntas o que significaria a vida sem crianças. Confesso-te que precisaria de ver o filme para obter uma resposta a essa pergunta. É que não consigo imaginar a vida sem crianças. Mas aceito e gosto da tua, com o ditado invertido.