03 julho, 2006

Novo realismo

Recentemente tive o prazer de ver uma produção documental de Martin Scorcese intitulada "A minha viagem a Itália". Nela o realizador leva-nos pela mão a revisitar os filmes que o influenciaram enquanto jovem italo-americano e cineasta. Reecontramos De Sica, Antonioni, Rosselini, Fellini, Visconti, visitados pelo olhar sabedor e apaixonado de Scorcese.
Mas de todo aquele amor cinéfilo, houve uma frase que me ficou, com uma ideia que transcende a sétima arte ou qualquer uma das outras.
Falando das vidas retratadas naqueles filmes, muitas delas da sua Sicília ancestral, Scorcese notava que "Hoje as pessoas vivem em sociedade, unidas pela Lei, e esqueceram-se do que é viver em comunidade, unidas pelo Amor".

23 comentários:

Fellao disse...

Acho que não se esqueceram. E a prova disso é a vontade de o demonstrar a cada pretexto, seja na ajuda a Timor, seja no apoio e celebrações da nossa Selecção. O que falta é algo ou alguém a quem amar. Para amar é preciso haver respeito. Senão, passando a cegueira da paixão, deparamo-nos com uma realidade que nos faz pensar duas vezes em se entregar na próxima vez. E como devem saber, não há nada pior para matar o amor do que pensar uma vez quanto mais duas.
Para resumir um comentário que poderia ser longo, uma vez que tenho uma tendência para falar do que não sei, se as pessoas se tivessem esquecido do que é viver em comunidade, unidas pelo Amor, não eram infelizes. Eram indiferentes.

L. Rodrigues disse...

Como se a indiferença fosse inócua...

João Villalobos disse...

Ao ler o post lembrei-me de uma frase do Antonioni: «Se me vês distante é porque me estás a ver de longe».
Sempre gostei dela...

Fellao disse...

Não, não é. Mas o meu ponto é exactamente esse.
Uma vez que não somos indiferentes, ainda há esperança.

L. Rodrigues disse...

Não somos mas estamos. Ou não percebes o culto do individual à tua volta?
E mesmo as manifestações de solidariedade e comunhão que referiste, muitas vezes parecem mais exercícios de exaltação do ego. e de maquilhagem da auto-imagem, do que verdadeira preocupação com os outros.

Senhora_d0_Lago disse...

Não tendo usado trapos brancos por Timor, nem pretos pelos professores e, muito menos, seja adepta dos minutos de silêncio por celebridades que morrem, quero acreditar que o fellao está certo, embora não seja pelos argumentos que apresenta. A hipótese de que mesmo o acto mais generoso é vaidade é boa, mas eu continuo a querer acreditar que no fundo de cada um há uma réstia de humanidade, aquela que nos faz ter vontade de continuar. Pode haver (e há!) preocupação genuína pelo "outro". Deixa-me acreditar que é aquilo que tenho visto em muitos dos artigos que deixas aqui no teu blogue. Ou terás a pretenção de que és uma excepção?

L. Rodrigues disse...

Não, longe de mim, e desesperante seria se assim fosse.
O potencial existe, mas dizem-nos demasiadas vezes que é falso, uma mistificação. Que se cada um tratar de si o resultado global é que todos estaremos melhor. Há quem acredite genuinamente nisto, o que explica muita coisa.

Senhora_d0_Lago disse...

Bem sei que não. A pergunta era retórica e tu tens mais razão do que aquilo que eu gostaria de admitir.. Mas... [aqui entre nós] gosto genuinamente de ti!!!

Vasco Pontes disse...

De Camões a Pessoa - AViagem Iniciática (SeteCaminhos), com pinturas e textos de Ellys e poemas de Maria Azenha, é o livro que será apresentado na Casa Fernando Pessoa no próximo dia 17 de Julho pelas 18h30.

Paulo Cunha Porto disse...

Meu Caro L. Rodrigues:
Houve uma Mensagem há 2006 anos, que tentou repor as coisas nos eixos. Mas hoje está ou desprezada, ou remetida para o limbo do património histórico.
Abraço.

L. Rodrigues disse...

Mas quando é que ela foi devidamente lembrada e aplicada nestes 2006 anos? E não terá elaa traçado o seu falhanço ao condenar liminarmente outras que no fundo proclamariam o mesmo, apenas vestidas com a cor de outras experiências humanas?

Um abraço.

filipa disse...

Acho que te enganas. Ao longo de 2006 anos, esta mensagem tem sido devidamente lembrada e posta em prática todos os dias, por muitos milhões de pessoas em todo o mundo. Falo dos que o fazem no anonimato da sua vida sem história e das figuras conhecidas, como Madre Teresa ou Maximiliano Kolbe (que a levou à letra). Abundam os exemplos: lembro os que oferecem o seu tempo, carinho e compreensão aos presos, aos velhos abandonados nos hospitais e nos lares, aos doentes (como os voluntários do IPO, na secção infantil e não só); os que adoptam uma criança apesar de já terem a sua família; os que partilham os seus bens, não o que sobra, nem as migalhas, mas o que têm para viver; lembro o meu sobrinho que, em vez de sair à noite, vai servir a sopa dos pobres; e a minha sobrinha que está a acabar o curso e, em vez de procurar a sua segurança num emprego, ou numa família, se prepara para oferecer os próximos 2 anos da sua vida a Moçambique... São muitos os exemplos desta prática diária. Decerto também conhecerás alguns. Infelizmente não são suficientes para as necessidades, mas daí até dizer que é um falhanço...

L. Rodrigues disse...

Porque é que eu sabia que tinhas essa resposta :)? Quando disse o anterior tive isso presente, e tens razão no que dizes. Mas em nome da dita mensagem, ou da leitura que ao tempo se fez dela, fez-se tanto bem como mal. Por isso eu acho que o segredo está mais nas pessoas que na mensagem. É o coração das pessoas que vê ali o que elas querem.

filipa disse...

E porque é que eu sabia que tu sabias? hehehe mas acho que estás enganado outra vez. A mensagem é perfeita e nunca poderia, em si, conduzir ao mal. É o coração do homem que tem a capacidade e a liberdade de fazer o bem e o mal. E encontrar desculpas e pretextos, dentro das religiões ou fora delas, em acontecimentos económicos, sociais, etc... é a história que se repete desde sempre e que já tantas vezes mostrou do que somos capazes. Não há nisto nenhum segredo.

L. Rodrigues disse...

Foi o que eu disse. Esta coisa de haver uma omnipotência que nos dá livre arbítrio é uma das desculpas mais esfarrapadas que conheço.
Tudo o que fazemos de bem é inspirado por ele, tudo o que de mal acontece ou é culpa nossa, ou são os designios misteriosos que se manifestam na natureza... Não papo... Omnipotente e omni-irresponsável.

filipa disse...

Não tens de papar coisa nenhuma, mas não é como dizes...deixa lá... o que te falta não está aqui, nem nos livros, nem no new advent :)

Mike disse...

Sinceramente e sendo o mais hoensto possível, acho que o Scorcese filosofou e todos vocês estão a ir atrás. Como se de uma escolha única, tipo "ou é branco ou é preto", se tratasse. As pessoas vivem em sociedade, claro que unidas pela Lei (que elas têm aoportunidade de alterar) e isso não é incompatível com o viver em comunidade, unidas pelo Amor. Só não estão porque não querem. Neste caso, nem o "não podem" se aplica. A frase do Scorcese está ferida por um tom dúbio, quiçá pelo seu ancestral passado italiano onde o fatalismo impera, em que, aí sim, fatalmente, a culpa morre solteira. As pessoas vivem na sociedade e nas comunidades que criam.

L. Rodrigues disse...

E depois foi ele que filosofou... E nada mais natural do que ver a coisa a preto e branco. Estamos a falar dos neo-realistas italianos... já olhaste bem para eles?

Mike disse...

Já. Envoltos em filosofia, por vezes barata, são os mentores de uma sociedade corrupta, divididos entre a perfeição da sociedade e um nacionalismo obtuso, do qual não se conseguem livrar.

Mike disse...

Já. Envoltos em filosofia, por vezes barata, são os mentores de uma sociedade corrupta, divididos entre a perfeição da sociedade e um nacionalismo obtuso, do qual não se conseguem livrar.

L. Rodrigues disse...

Mentores de uma sociedade corrupta? Agora estou perdido...

Anónimo disse...

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