O economista Chefe da Agencia Internacional de Energia, numa entrevista recente ao “Le Monde” afirmou que se o petróleo do Iraque não fluir, e fazendo alguma fé nas reservas anunciadas pelos países produtores, o mundo vai ter problemas sérios em 2015.
O principio do fim do petróleo deverá coincidir com o pico do crescimento na China. Como o mundo vai reagir a esses dois acontecimentos, é uma incógnita, embora seja de prever muita angústia e ranger de dentes.
As alternativas renováveis estão aí, prontas a eclodir, mas nem todas são sensatas, e nem todas estarão à altura da procura em tempo útil.
O Bio-fuel é o maior barrete e o maior perigo. Sobretudo o de primeira geração que essencialmente tira da boca de quem tem fome para meter no depósito de quem tem carro. Para terem uma ideia, as metas de substituição de 7,5 % do petróleo no mercado americano por bio-fuels implicaria o deslocamento de TODA a produção de milho e soja americanos para produção de energia.
Isso não se espera que aconteça, o que se espera é que sejam os países do 3ª mundo a abraçar esta “oportunidade”, o que muitos já parecem prontos a fazer, à custa das suas florestas, da auto-suficiência alimentar das suas populações e das suas reservas de água, já que é preciso regar isto tudo.
O nuclear, com todos os perigos, tem que ser considerado, mas dificilmente se construiria a capacidade necessária em tempo útil.
Há os outros meios de produção considerados mais limpos e sensatos mas ainda com fracos investimentos. A pressão das elites económicas para deixar ser o mercado a decidir, favorece soluções de baixo investimento inicial, como o regresso ao carvão, em vez de tecnologias mais sustentáveis a longo prazo mas mais exigentes e menos rentáveis a curto.
A única solução viável é uma pulverização da produção de energia, com os estados a manterem uma rede e uma capacidade de produção em larga escala de papel estratégico, para responder a picos de procura e falhas ocasionais, mas o grosso da produção a ser garantida ao nivel local e até individual.
Assim, a energia deveria ser um mix, de energia solar, fotovoltaica e outras, eólica, geotérmica, nuclear, etc. E deverá acima de tudo ser atacado o factor “procura” através de mais eficiência por um lado, e por outro de redesenho das concepções das cidades e dos hábitos das pessoas.
Algumas destas coisas podiam ser começadas já, outras teria que ser pensadas e implementadas á medida que as concepções obsoletas chegam ao fim do seu ciclo e há oportunidade para renovar. De qualquer modo, não vai ser fácil.
O fim do petróleo deve preocupar-nos? Sim porque implica dificuldades e mudanças. Mas deve ser visto como a grande oportunidade para melhorar o mundo, que é.
Dito isto. Is it the end of the world as we know it?
28 junho, 2007
26 junho, 2007
Homens a sério
25 junho, 2007
Altruismo congénito
Com o recurso a imagiologia cerebral, foi possivel já identificar as partes do cérebro que são activadas quando participamos em actos de generosidade. Em principio o que os neurologistas estão a ver é o sujeito da experiencia a sentir-se bem consigo próprio.
Isso já seria um facto interessante. Mas os cientistas são cientistas porque tentam colocar mais perguntas e obter mais respostas. Assim, um grupo de neurocientistas e economistas da universidade do Oregon tentou perceber melhor as nuances do altruismo.
Traduzindo por alto:
Os sujeitos, estudantes como é costume nestas coisas, recebiam 100 dolares e depois com o auxilio de um computador, o seu dinheiro era redistribuido segundo padrões diversos. Eles podiam voluntariamente auxiliar uma causa nobre, um banco alimentar, podiam ver o seu dinheiro ser diminuido e aplicado no banco alimentar, como um imposto, e outro resultado possivel era o dinheiro ser distribuido aleatoriamente quer aumentando o proprio peculio, quer indo parar ao banco.
O resultado interessante desta experiencia é que do ponto de vista da reacção cerebral dos sujeitos, além dos esperados resultados para os que doavam voluntariamente, foi o facto de a mesma reacção acontecer quando o "imposto" fazia o dinheiro ir parar ao banco alimentar. Além disso foi identificado um grupo chamados de puros altruistas que tinham uma reacção mais positiva quando no processo aleatório o dinheiro ia parar ao banco alimentar em vez de engordar a carteira.
Isto dá a devida relevância ao facto de que, para um numero significativo de pessoas e é pena o artigo não quantificar, o bem público é de facto mais importante que o pessoal. Que um imposto bem aplicado é visto como um bem e não um roubo. E que, mais importante do que tudo, a natureza humana tem muito mais nuances do que o que pintam os comodistas dos economistas neo-clássicos.
Os exemplos multiplicam-se. Uma multitude de dados da psicologia moderna sustentam a visão de um ser humano social, solidário, que vive melhor com regras e limites, que precisa de ancoras relacionais, de controlo sobre a sua vida, de capacidade de prever minimamente o futuro e ter projectos de vida com os quais possa crescer pessoal e socialmente.
Mas há um paradoxo dificil de ultrapassar quando se imagina como colocar este conhecimento no quadro de uma visão politica. De uma forma geral as pessoas não se vêem como são, e tendem a rejeitar a sugestão, e nem falo da imposição, de normas que dirijam as suas escolhas. Mesmo que o resultado final fosse melhor para cada individuo e para todos.
Um exemplo típico é o abordado por Barry Schwartz, de que já aqui falei, no seu "O paradoxo da escolha". Como convencer as pessoas de que é melhor escolher entre 5 do que entre 50?
Limitar a escolha a priori parece contra intuitivo. Mas a verdade é que a posteriori, a escolha que foi feita entre menos opções tende a gerar mais satisfação.
Historicamente, as religiões têm sido os instrumentos humanos mais eficientes para encarar este tipo de problemas. O argumento sobrenatural é bastante eficaz em condicionar a vida das pessoas dando-lhes por um lado as regras de que precisam e por outro um sentido, bem como a sensação exaltante de pertencer a algo maior.
Uma sociedade humanista e materialista, é claro, não pode aceitar esse mecanismo, que de resto tem os lados negros que todos conhecemos. Parece-me que é um dos grandes desafios que se colocam actualmente: a construção de uma narrativa cativante para uma ideia de humanidade mais próxima de si mesma.
Uma sugestão: mais psicologia nas escolas, mais cedo. A exposição das pessoas aos resultados de muitas das experiências feitas nos laboratórios das universidades, leva muitas vezes os sujeitos a uma mudança de percepção sobre os outros e sobre si mesmo. Uma melhor compreensão das forças que actuam sobre as decisões e dos resultados das mesmas. Há que começar por algum lado...
Isso já seria um facto interessante. Mas os cientistas são cientistas porque tentam colocar mais perguntas e obter mais respostas. Assim, um grupo de neurocientistas e economistas da universidade do Oregon tentou perceber melhor as nuances do altruismo.
Traduzindo por alto:
Os sujeitos, estudantes como é costume nestas coisas, recebiam 100 dolares e depois com o auxilio de um computador, o seu dinheiro era redistribuido segundo padrões diversos. Eles podiam voluntariamente auxiliar uma causa nobre, um banco alimentar, podiam ver o seu dinheiro ser diminuido e aplicado no banco alimentar, como um imposto, e outro resultado possivel era o dinheiro ser distribuido aleatoriamente quer aumentando o proprio peculio, quer indo parar ao banco.
O resultado interessante desta experiencia é que do ponto de vista da reacção cerebral dos sujeitos, além dos esperados resultados para os que doavam voluntariamente, foi o facto de a mesma reacção acontecer quando o "imposto" fazia o dinheiro ir parar ao banco alimentar. Além disso foi identificado um grupo chamados de puros altruistas que tinham uma reacção mais positiva quando no processo aleatório o dinheiro ia parar ao banco alimentar em vez de engordar a carteira.
Isto dá a devida relevância ao facto de que, para um numero significativo de pessoas e é pena o artigo não quantificar, o bem público é de facto mais importante que o pessoal. Que um imposto bem aplicado é visto como um bem e não um roubo. E que, mais importante do que tudo, a natureza humana tem muito mais nuances do que o que pintam os comodistas dos economistas neo-clássicos.
Os exemplos multiplicam-se. Uma multitude de dados da psicologia moderna sustentam a visão de um ser humano social, solidário, que vive melhor com regras e limites, que precisa de ancoras relacionais, de controlo sobre a sua vida, de capacidade de prever minimamente o futuro e ter projectos de vida com os quais possa crescer pessoal e socialmente.
Mas há um paradoxo dificil de ultrapassar quando se imagina como colocar este conhecimento no quadro de uma visão politica. De uma forma geral as pessoas não se vêem como são, e tendem a rejeitar a sugestão, e nem falo da imposição, de normas que dirijam as suas escolhas. Mesmo que o resultado final fosse melhor para cada individuo e para todos.
Um exemplo típico é o abordado por Barry Schwartz, de que já aqui falei, no seu "O paradoxo da escolha". Como convencer as pessoas de que é melhor escolher entre 5 do que entre 50?
Limitar a escolha a priori parece contra intuitivo. Mas a verdade é que a posteriori, a escolha que foi feita entre menos opções tende a gerar mais satisfação.
Historicamente, as religiões têm sido os instrumentos humanos mais eficientes para encarar este tipo de problemas. O argumento sobrenatural é bastante eficaz em condicionar a vida das pessoas dando-lhes por um lado as regras de que precisam e por outro um sentido, bem como a sensação exaltante de pertencer a algo maior.
Uma sociedade humanista e materialista, é claro, não pode aceitar esse mecanismo, que de resto tem os lados negros que todos conhecemos. Parece-me que é um dos grandes desafios que se colocam actualmente: a construção de uma narrativa cativante para uma ideia de humanidade mais próxima de si mesma.
Uma sugestão: mais psicologia nas escolas, mais cedo. A exposição das pessoas aos resultados de muitas das experiências feitas nos laboratórios das universidades, leva muitas vezes os sujeitos a uma mudança de percepção sobre os outros e sobre si mesmo. Uma melhor compreensão das forças que actuam sobre as decisões e dos resultados das mesmas. Há que começar por algum lado...
22 junho, 2007
21 junho, 2007
Se não fossem os jogos de computador
Eu não sabia quem eram os "Ink Spots"
o grupo dos anos quarenta que canta "Maybe"
o grupo dos anos quarenta que canta "Maybe"
19 junho, 2007
Urgência
Podia ter deixado esta citação para amanhã, mas achei que não valia a pena esperar.
Alguma coisa se perdeu na América.
Every gun that is made, every warship launched, every rocket fired, signifies in a final sense a theft from those who hunger and are not fed--those who are cold and are not clothed. This world in arms is not spending its money alone--it is spending the sweat of its laborers, the genius of its scientists, the hopes of its children.
Dwight Eisenhower, Speech (1953)
Alguma coisa se perdeu na América.
Subscrever:
Mensagens (Atom)

