26 março, 2007

O Carteiro

Recentemente, numa região rural de França, o carteiro Laurent Mallard foi acompanhado na sua ronda por um organizador/analista que tinha por missão avaliar o tempo da ronda e optimizá-lo.

Mallard tem por hábito trocar apertos de mão com as pessoas a quem leva as cartas e volumes, e não se escusa a levar pão, tabaco ou medicamentos a quem lho pede, já que falamos de gente envelhecida, sem meios de locomoção e isolada. Isto deve ter causado horror ao analista, e Mallard recebeu uma punição.

(este parágrafo, agora, é plágio:)
Este é um caso exemplar de desperdício, visto do ponto de vista de um economista neo-clássico. O carteiro ao envolver-se em actividades não lucrativas para a empresa onde trabalha, está a colocar em causa a eficiência desta e a sua competitividade no mercado.
Um neo-clássico também defenderia que aquela gente que beneficia dos serviços extra do carteiro não está a contribuir para o PIB. O que estaria certo era contratar os serviços de alguém em vez de suportar um esquema informal e impregnado de iniquidade já que está à mercê das simpatias do carteiro. Um operador neutro que apenas vise o lucro garantiria um melhor serviço.
(fim de plágio)

O que parece uma anedota, é um exemplo vivo e acabado do que é a visão da sociedade pelos olhos de um neo-liberal. Como dizia a sra Thatcher: não existe sociedade. Como é que se pode acreditar nisto e ser ao mesmo tempo governante? Governante do quê?

E o Barroso vai pelo mesmo caminho, a julgar por algumas citações que vi. É por isso que não pode ser gente desta a decidir como vai ser a Europa dos próximos 50 anos.

5 comentários:

Once In a While disse...

Fabuloso L. .. tem graça que o carteiro da "minha" terra fazia exactamente o mesmo. Com a "gravosa" de que ainda dava boleia no seu triciclo aos meninos que se atrasavam para o toque de entrada na escola que ficava a 2 km ..
Enfim ..
:)
Boa semana ..

Mike disse...

Como contribuinte fico bem mais tranquilo (e apoio) que os meus impostos continuem a pagar horas "mal gastas" de carteiros que se "esquecem" qual é a sua verdadeira, e pelos vistos única na visão dos neo-liberais, missão, em vez de engordar os senhores que hoje em dia decidem os destinos da Europa. Estes tem salários chorudos (bem maiores que os dos carteiros) e está visto que não desempenham tão bem a sua função. Desculpem o termo, mas que porra, há gente que se lembra de cada uma... Pior, parece que é um mal que se está a impregnar.

L. Rodrigues disse...

Pois é Mike... As sociedades têm que ser eficientes em nome dos mercados, e não o contrário, ao que parece.

A disse...

Que disparate! Então o carteiro não tem só de fazer o trabalho dele?;) Ai o menino quer crescentar mais valias á sua pessoa? Desviar-se da rota pré-estabelecida de robotzinho do capital?? Não querem lá ver, não??
Ai o menino carteiro... Não tarda nada ainda bate duas vezes e ainda o havemos de ver a dar apoio e a ter a confiança de algum prémio Nobel, não??
Mau, mau...
Brinca, mas não abuses...
Beijinho.

A disse...

Era acrescentar. Mas tambem pode ser só crescentar, de crescer com. Vê lá bem o trabalho que me tu me dás que até fui consultar o diccionário!:))