12 novembro, 2009

Mão de obra.

Entre contas de oficina e orçamentos de janelas que têm circulado entre amigos e conhecidos, assaltou-me esta dúvida.
Porque é que num país onde os salários são reconhecidamente baixos, a fatia reservada à mão de obra neste tipo de serviços parece sempre tão exorbitante?

Tenho uma hipótese: A fatia de leão do que se paga pela mão de obra não vai para quem trabalha.

8 comentários:

CPrice disse...

.. e eu comprovei-a quando chamei um electricista há uns tempos que fez o trabalho (sim, era simples, trocar uns candeeiros e tal mas eu tenho o pânico da electricidade e desligo o quadro para trocar uma lâmpada) por menos de metade do valor que o patrão me tinha pedido ;)

L. Rodrigues disse...

E arrisco afirmar que ainda ganhou bem mais do que lhe caberia do tal orçamento.

Senhora_d0_Lago disse...

E ele ficou com o serviço do patrão?! A mão de obra explorada vinga-se na ética profissional, diria...

CPrice disse...

Acredito que sim L. e eu paguei uma ninharia quando comparado com o orçamento.

Senhora :) eu tive de cancelar a marcação primeiro ;))

L. Rodrigues disse...

Senhora,
essa acho eu que é a ferida do proverbial dedo.
Atribuo o chico-espertismo nacional em grande parte ao facto de sermos umas sociedade profundamente desigual. Se o esforço fosse mais reconhecido, e o trabalho melhor recompensado, retiravam.se uns quantos estímulos à desonestidade.

Ainda relacionado com este tema lembro-me de um casal de turistas alemães reformados que viviam numa auto caravana alternando entre Portugal e Espanha, e diziam que o custo de vida era mais ou menos o mesmo.

Acontece, no entanto, que o salário minimo em Espanha é substancialmente maior, ou seja, alguém está a ficar com a diferença.

Mike disse...

Não tens uma hipótese, tens uma certeza. Mas deixa-me que te diga que estás um mestre em demagogia., L. Nos exemplos que deste há duas componentes para o preço final: material e mão de obra. A margem de lucro, como deves calcular, dificilmente poderá ser imputada ao material até porque, como também sabes, é à mão de obra que estão associados os overheads (custos referentes aos gastos de electricidade, água, telefone, etc). Ou seja, o teu custo real para a tua entidade empregadora é bastante menor que o valor que está associado à tua função para clientes. Espera, que estou com vontade de te contrariar. Mais: não sabemos quantas pessoas (dos exemplos que deste) são também patrões. E nesse caso? tudo bem? Nem sabemos quantos são os casos em que os lucros feitos com a fatia de leão são partilhados no fim do ano (pouco prováveis). Feitas as contas, antes que te irrites, acho-te um perigoso manipulador mas, genericamente, acho que tens razão. Demagogo! ;)

L. Rodrigues disse...

Olá Mike
Demagogo? Só um bocadinho, porque de facto os custos de um patrão que garante postos de trabalho (e qualidade do serviço) são diferentes de um "free-lancer".

A verdade é que há uma estatistica (que li num livro e por isso não tenho link) que diz que Portugal tem os numeros mais baixos da Europa no que respeita ao que cada trabalhador aufere dos frutos do seu trabalho.
Quando a encontrar coloco aqui.

E de qualquer modo, continuo convicto de que não escrevo para inocentes :).

Mike disse...

eh eh eh... quem não é inocente não escreve para inocentes. ;)
Fico à espera do conteúdo do livro. Mas sei que nos vais tentar manipular, ai vais, vais...