10 outubro, 2008

These Days

Well Ive been out walking
I dont do that much talking these days
These days--
These days I seem to think a lot
About the things that I forgot to do
For you
And all the times I had the chance to

And I had a lover
Its so hard to risk another these days
These days--
Now if I seem to be afraid
To live the life I have made in song
Well its just that Ive been losing so long

Ill keep on moving
Things are bound to be improving these days
These days--
These days I sit on corner stones
And count the time in quarter tones to ten, my friend
Dont confront me with my failures
I had not forgotten them

Jackson Browne




Agora reparo que nunca tinha dado atenção suficiente à letra desta canção.
E depois fiquei a saber que o autor a escreveu com 16 anos. É irritante, mas se o talento não estivesse mal distribuído, nunca se dava por ele.
.

08 outubro, 2008

Auto congratulação

Gostei tanto desta frase que escrevi num comentário ao Corta-fitas que acho que merece o seu próprio post:

"Passaram-se 30 anos a eliminar soluções, pensando que se eliminavam problemas."

A palavra "S"

Um pouco por todo o lado, de Washington a Berlim, vastas reservas de dinheiros publicos são usados para tentar manter à tona um sistema financeiro que entrou em auto-fagocitose.
Nos casos em que isso é manifestamente insuficiente (e está por provar que não se generalizará), assume-se discretamente a nacionalização, total ou parcial. Sempre tentando evitar dizer que se está a efectivamente a implementar politicas "socialistas". Usam-se eufemismos vários mas a expressão nunca é usada, a não ser talvez pelos Republicanos mais resistentes, que consideram o plano Poulson "Anti-americano" (haveria muito para dizer, aqui...).

Ocorre-me que se o mesmo acontecer em Portugal poderemos ter um Governo Socialista a tentar explicar com o maior dos pudores que o que estão a fazer não é socialismo:

"é pragmático, é necessário, é o que a comissão europeia mandou fazer, mas não se alarmem que o partido socialista nunca faria nada parecida com,(glup) socialismo."

03 outubro, 2008

Mais uma explicação da situação.

William Blum, um espécime raro (um comunista americano), explica nas suas palavras as causas para o presente colapso financeiro.

why do we have this thing called a "financial crisis"? Why have we had such a crisis periodically ever since the United States was created? What changes occur or what happens each time to bring on the crisis? Do we forget how to make things that people need? Do the factories burn down? Are our tools lost? Do the blueprints disappear? Do we run out of people to work in the factories and offices? Are all the services that people need for a happy life so well taken care of that there's hardly any more need for the services? In other words: What changes take place in the real world to cause the crisis? Nothing, necessarily. The crisis is usually caused by changes in the make-believe world of finance capitalism.

Eu gosto de o ler.
Quanto mais não seja por providenciar um ponto de vista radicalmente diferente, mas vindo de dentro. Muitas vezes simplesmente porque escreve bem e faz sentido.

Ali pelo meio do texto inclui esta definição:

"Capitalism is the theory that the worst people, acting from their worst motives, will somehow produce the most good."

Podemos questionar se o Capitalismo se resume a isso, mas o passado recente leva-me a acreditar que foram alguns dos seus principais promotores que o reduziram a tal esqueleto.





Food for thought

Thought on a diet:

A American Library Association celebra a sua Banned Books Week.
De lá retirei esta lista:

The 10 most challenged books of 2007 reflect a range of themes, and are:
  1. And Tango Makes Three, by Justin Richardson/Peter Parnell
    Reasons: Anti-Ethnic, Sexism, Homosexuality, Anti-Family, Religious Viewpoint, Unsuited to Age Group
  2. The Chocolate War, by Robert Cormier
    Reasons: Sexually Explicit, Offensive Language, Violence
  3. Olive’s Ocean, by Kevin Henkes
    Reasons: Sexually Explicit and Offensive Language
  4. The Golden Compass, by Philip Pullman
    Reasons: Religious Viewpoint
  5. The Adventures of Huckleberry Finn, by Mark Twain
    Reasons: Racism
  6. The Color Purple, by Alice Walker
    Reasons: Homosexuality, Sexually Explicit, Offensive Language,
  7. TTYL, by Lauren Myracle
    Reasons: Sexually Explicit, Offensive Language, Unsuited to Age Group
  8. I Know Why the Caged Bird Sings, by Maya Angelou
    Reasons: Sexually Explicit
  9. It’s Perfectly Normal, by Robie Harris
    Reasons: Sex Education, Sexually Explicit
  10. The Perks of Being A Wallflower, by Stephen Chbosky
    Reasons: Homosexuality, Sexually Explicit, Offensive Language, Unsuited to Age Group

30 setembro, 2008

A sinfonia da Crise, em 2 andamentos, por REM

1º Andamento, o Fim:

That's great, it starts with an earthquake, birds and
snakes, an aeroplane and Lenny Bruce is not afraid.
Eye of a hurricane, listen to yourself churn - world
serves its own needs, dummy serve your own needs. Feed
it off an aux speak, grunt, no, strength, Ladder
start to clatter with fear fight down height. Wire
in a fire, representing seven games, a government
for hire and a combat site. Left of west and coming in
a hurry with the furies breathing down your neck. Team
by team reporters baffled, trumped, tethered cropped.
Look at that low playing! Fine, then. Uh oh,
overflow, population, common food, but it'll do. Save
yourself, serve yourself. World serves its own needs,
listen to your heart bleed dummy with the rapture and
the revered and the right, right. You vitriolic,
patriotic, slam, fight, bright light, feeling pretty
psyched.

It's the end of the world as we know it.
It's the end of the world as we know it.
It's the end of the world as we know it and I feel fine.



2º Andamento, o Principio.



Birdie in the hand for life's rich demand
The insurgency began and you missed it
I looked for it and I found it
Miles Standish proud, congratulate me

A philanderer's tie, a murderer's shoe

Life's rich demand creates supply in the hand
Of the powers, the only vote that matters
Silence means security silence means approval
On Zenith, on the TV, tiger run around the tree
Follow the leader, run and turn into butter

Let's begin again, begin the begin
Let's begin again like Martin Luther Zen
The mythology begins the begin
Answer me a question I can't itemize
I can't think clear, you look to me for reason
It's not there, I can't even rhyme here in the begin

A philanderer's tie, a murderer's shoe
Example: the finest example is you.


As letras dos REM nunca foram muito fáceis de perceber. Mas a realidade que vivemos também não é...

28 setembro, 2008

O post da crise financeira.

Este blogue deve o seu início a uma inquietação que me começou a assolar há uns, poucos, anos. Á minha volta sentia que o mundo tinha mudado numa direcção que não me agradava. Uma consciência algo tardia, talvez, mas desde logo intensa.

Tomei consciência de uma crescente desvalorização do trabalho. De uma prepotência desumana disfarçada de exigência ou até "excelência", palavra que me dá pele de galinha. De uma aposta estratégica em ganhar mais, mais depressa, indo pelo caminho mais fácil: pagar menos a quem trabalha, mais a quem decide.
"Decidir é trabalhar, oh palhaço!", já estou a ouvir. Decidir é poder, respondo eu. E assistimos a um poder irresponsável e ingrato.

Adiante. Tentei perceber o que se passava. Daí a minha leitura de alguma história económica, que me levou ao campo mais próximo da psicologia, e da sociologia. Sempre sem maiores pretensões do que construir um retrato global. O destilado desse percurso foi vertendo aqui neste espaço.

A partir de certa altura, estava sinceramente céptico. Não via uma forma mais ou menos pacífica de dar a volta à coisa. O discurso dominante era de tal modo insidioso que impregnava mesmo os que historicamente tinham nascido da luta contra essas mesmas ideias, lá longe no século 19.

Achava eu que as catástrofes que iriam colocar tudo em causa seriam de ordem ambiental, ou energética. Elas estão aí anunciadas, no horizonte das gerações agora activas.

O mercado antecipou-se. E na verdade faz sentido, porque vive em ciclos muito mais curtos, mensais, trimestrais. O aquecimento global é uma coisa que "não se sabe bem", e o pico do petróleo dói mas aperta-se um pouco o cinto e lá se vai andando.
Mas os milhares de prestações que não se pagam, por não haver emprego, por a gasolina estar cara, por a comida ainda mais, por o ensino e a saude serem cada vez mais caros para responder às leis do mercado... aí o prazo é curto, é o fim do mês. E o resto é uma questão de massa crítica.

Por isso acho que é desta. Na verdade, espero que seja desta, que as leis de Murphy obrigam à prudência.

Aquando da crise de 29, foi o "New Deal" que salvou a coisa, reza a história. O New Deal era tão somente investimento publico (Keynesianismo, dizem os entendidos) que gera emprego e dinamiza uma economia em estado de choque e crise de confiança. É o trabalho das pessoas, que tão mal tratado tem sido, que é a economia real. É esse que tem que ser valorizado, protegido, dignificado. E não esquemas de pirâmide.

A verdadeira razão pela qual escrevo este post, cheio de coisas que se podem ler em qualquer lado, é partilhar a minha esperança acerca desta situação toda.
Em 29, acabou por ser a Guerra o grande dinamizador. De resto, a América nunca deixou de ser Keynesiana, mesmo quando esse nome passou a palavrão, graças ao seu investimento (público) na coisa militar. Dá trabalho a muita gente, mesmo.

Agora dava jeito era não ser preciso outra guerra mundial.
E é por isso que as outras crises anunciadas, que podem tranformar-se numa questão de vida ou de morte se considerarmos os cenários mais negros, são a Grande Batalha que deve canalizar os recursos e de caminho criar empregos, paz, prosperidade e um mundo mais limpo.
Criar novas fontes de energia, casas e carros mais eficientes, redesenhar cidades, repensar as relações de trabalho e com o trabalho, reestruturar o comercio internacional numa optica de desenvolvimento e justiça, tudo isso pode e deve ser feito.

Naomi Klein publicou há meses o seu "The Shock Doctrine" onde cunha o termo "disaster capitalism" onde retrata casos em que o mais diverso tipo de calamidades serve de oportunidade para implementar a filosofia politica que nos deu esta crise financeira, o aquecimento global e o petróleo a 100 dólares.

Está na altura de emergir um "Disaster humanism", à falta de melhor termo. Eu terei os dedos cruzados durante os próximos meses. Mas espero que isso não me impeça de escrever aqui :P.