13 julho, 2007

First of the gang to die

Nunca fui um grande fan dos Smiths nem segui a carreira de Morrisey. Mas recentemente descobri que gosto bastante desta canção.




Por falar em canção, fiquei a saber no outro dia que não era "bem" dizer canção. Mas como então chamar a uma coisa que se canta?

12 julho, 2007

Vai ser óptimo mesmo antes do fim.

Com um agradecimento a Starvid.

Lembrou-me o Império dos Sentidos.

10 julho, 2007

Classe

Hoje em dia, em certos meios e quadrantes políticos é usual ouvir dizer que não faz sentido falar em classes. Que é uma linguagem antiga, que ninguém está preso à condição em que nasce, porque no maravilhoso mundo onde vivemos qualquer um, com esforço e dedicação pode ascender socialmente a qualquer posição, assim tenha o talento e o mérito.

O que me leva a um artigo de Bernard Chazelle sobre os acontecimentos que tiveram lugar em França já há uns tempos, os célebres levantamentos dos Banlieu.

A tese de Chazelle é que a Igualdade decretada pela República Francesa impediu aquele país de implementar medidas de integração dos franceses de segunda geração. Afinal, se todos são iguais por lei, não faz sentido haver leis com base nas diferenças.

E a verdade é que basta ver os comportamentos dos empregadores e a discriminação que fazem entre quem tem um nome francês ou outro oriundo do Norte de África para perceber quão racista é ainda a França.

Ou seja, não é por sermos iguais perante a lei que nos passamos a ver como tal.

Da mesma forma, não é por dizermos ou decretarmos que não há classes que elas deixam de existir. Talvez o formalismo hereditário de outrora tenha sido substituído pelo estatuto económico, e este teoricamente esteja ao alcance de todos numa “democracia liberal”.

Mas hoje sabe-se que em países como os Estados Unidos a mobilidade social é muito menor do que na maior parte dos países da Europa. O sonho americano, consagrado na ideia de que qualquer que seja a condição do seu nascimento, todos podem vir a ser Presidentes, é de facto um sonho, porque como diz George Carlin (que, como prometi, passarei a citar e referir sempre que possa): é preciso estar a dormir para acreditar nele.

Em França a intenção não seria perpetuar o racismo, mas o resultado foi esse. Mas não estou certo de que os detractores da ideia de classe sejam tão inocentes assim.

Negar que existem classes é a melhor forma de as perpetuar. Não reconhecendo que a mobilidade social é mínima, não se implementam as medidas que tendem a aumentá-la – correndo o risco de me repetir: educação, saúde, segurança social.

07 julho, 2007

Modern Man



Aviso toda a gente que se depender de mim este blog vai ter muito mais George Carlin.

05 julho, 2007

5 de Julho

Ontem, quando me lembrei que era 4 de Julho já eram 23:59....

03 julho, 2007

Há coincidências curiosas.

Este fim de semana, por sugestão d’O Bitoque, tive oportunidade de ver online o documentário “The trap-What happened to our dreams of freedom?” de Adam Curtis, produzido para a BBC. Nele o autor explora as origens da cultura de individualismo que assola a Grã-Bretanha e não só, as raízes do neo-liberalismo, e as consequências deste na destruição das instituições públicas, da ideia de sociedade, e no fomento das desigualdades e de um sem número de “doenças mentais” que afinal são apenas reacções de pessoas saudáveis a uma sociedade doente.

A coincidência ocorreu por, este fim de semana também, na minha lenta leitura de Karl Polianyi, chegar à parte de “The great transformation” em que ele enuncia os princípios “naturalistas” em que os liberais do século 19 se basearam para legitimar uma ideia de equilíbrio atingido pela ausência de interferências.

Assim, enquanto os neo-liberais se apoiavam na matemática da Teoria dos Jogos, desenvolvida por Nash, para demonstrar como agentes autónomos e egoístas (self-interested) podiam ganhar consistentemente no confronto com outros, os liberais de antanho olhavam para os equilíbrios nas populações de predadores-presas para defender que a “ordem” podia emergir naturalmente quando não existe interferência externa, de onde concluíam que o mercado atingiria o equilibrium desejado se fosse deixado à sua dinâmica própria.

O mesmo mecanismo intelectual reemergiu, portanto, desta vez suportado por uma imensidade de números. No documentário de Curtis, é salientado o papel dos estrategas da guerra fria sediados na Rand Corporation, na elaboração de modelos matemáticos à volta desta visão “racional”, egoísta e isolacionista da natureza humana.
É sintomático que quando pessoas normais participavam nos “jogos”, não escolhessem as estratégias “ganhadoras” mas sim as que privilegiavam a cooperação. Mas isso pelos vistos não fez recuar quem insistiu em manter esse retrato “robot” do ser humano em todos o modelos de interacção desde a economia até à psicologia familiar.

Polanyi escreveu o seu livro cerca de 1940. Acreditava que a guerra que eclodia então era o ultimo e mais terrível estertor provocado pelos 100 anos de liberalismo que o haviam antecedido. Acreditava que a sua época ia ser recordada como o fim de uma perigosa e destruidora experiencia social. Infelizmente, nisso estava errado, em todo o resto parece ter visto bem.