31 maio, 2007

Divertimento para executivos

Apresento o Bullshit Bingo:



Sugiro adaptar para "TRETA!" Ou "Pívias!" em português. Quanto ao conteúdo, não vale a pena traduzir... os nossos executivos não perdem uma oportunidade para exibir o seu marketês.

30 maio, 2007

Opinião Pública

De acordo com o colunista Christopher Hayes a frase "Heterodox Economics" foi utilizada UMA vez no New York Times desde 1981. "Intelligent Design" apareceu 367 vezes, durante o mesmo tempo.

Um caso em que a ficção ultrapassa claramente a realidade.

29 maio, 2007

Vozes da estrumeira

Recentemente foi insultado pela primeira vez na blogocoisa. Aparentemente sou um imbecil, fruto da estrumeira que é Portugal. O que levou alguém a colocar-me no meu devido lugar, foram os meus comentários a um post sobre a recente cessação de actividades da Venezuelana RCTV.

Por todo o lado, mesmo naquilo que muito consideram esquerda insuspeita, surgem vozes preocupadas com o controlo da informação pelo regime, com o amordaçar da democracia, etc etc.

Desde já digo que nunca me senti muito confortável com o estilo de Chavez. Desde o princípio que fiquei dividido entre o politico messiânico e o demagogo populista, nenhum dos quais me parecia um bom ponto de partida para uma mudança que todas as pessoas de bem querem democrática.

Mas aqui há uns tempos vi um documentário, disponivel no Google video para quem quiser, feito por uma equipa Irlandesa. Era para ser um documentário que procurava precisamente dar uma ideia mais precisa daquela personalidade tão polarizante. Mas a meio das filmagens aconteceu uma coisa: uma tentativa de golpe militar. E de repente aquele documentário tornou-se numa coisa que poucos alguma vez terão visto. Um golpe de estado visto de dentro. Do lado dos sitiados.

Depois de visto tudo, ficaram para mim duas ideias claras: o inequivoco apoio popular de Chavez. Quando se tem 70% do povo do seu lado, tudo o que se possa dizer sobre a sua legitimidade é retórica.

A outra ideia que ficou clara é que as televisões privadas e esta que agora cessa em particular, nunca esconderam o ser desagrado por chavez, incitando explicitamente o golpe, e durante o seu decorrer, filtrando e distorcendo cuidadosamente a informação, dando-lhe completa cobertura e apoio. Que aconteceria cá se a SIC resolvesse fazer guerra aberta a Sócrates e apoiasse uma sublevação em armas?

Desde que Chavez foi eleito pela primeira vez apenas uma televisão foi encerrada pela força. A televisão pública, durante os dois dias do golpe de estado.

Depois do golpe Chavez não prendeu nenhum dos golpistas. Não perseguiu nenhuma das televisões. Chegado ao termo da licença de uma, entendeu o governo venezuelano que não se justificava a sua renovação. Dentro da lei e com toda a legitimidade.

Continuo de pé atrás com a Venezuela. O caminho que escolheram não é fácil. Mas escolheram. E, enquanto essa escolha for legítima, e enquanto acreditarmos na democracia, é apenas ser coerente reconhecer aos venezuelanos o direito de traçar o seu próprio caminho. E não deixar que outros os "salvem de si mesmos". Como aconteceu no Chile, com Pinochet.

28 maio, 2007

Mitos e fantasias da vida moderna.

As ideias que tendem a despertar mais, e mais vivas, respostas neste blogue parecem ser aquelas que sugerem (e fiz isso mais do que uma vez) que nas organizações politica e social devem haver mecanismos que regulem eficazmente a dinâmica da vida das pessoas de forma a que estas possam encontrar o maior bem estar pessoal possível.

Assim, quando sugiro que a felicidade devia embeber o propósito legislativo, não falta quem considere que tal coisa é do foro pessoal e como tal completamente fora do âmbito da responsabilidade de um Estado.

Da mesma forma, quando deixo subentendido que o excesso de endividamento se deve em parte a uma deficiente regulação da actividade bancária, não falta quem coloque a responsabilidade em quem contrai dividas que não pode pagar, indo contra o que parece o mais elementar bom senso.

Cabe aqui dizer que a pessoa - o agente racional egoísta - que serve de base a estes raciocínios é um mito. Começa por ser um mito porque ninguém possui a informação perfeita que leva a decisões perfeitas. E depois torna-se um mito ainda maior porque mesmo na posse da melhor informação possível, as escolhas não são necessariamente racionais, ou egoístas.

Somos máquinas de adquirir status, não de encontrar felicidade. Isto são coisas que a humanidade descobriu várias vezes ao longo dos milénios e foi inscrevendo em filosofias, religiões, adágios, máximas etc. Os apelos ao despojamento, ao encontro com os outros, à elevação do carácter, existem em quase todas as culturas.

Hoje, no século XXI, muita da psicologia e sociologia reconhecem e reforçam a verdade destas sabedorias. No entanto a politica e a sociedade durante uma boa parte do século XX continuam a ignorá-las preferindo usar como modelo para a humanidade “o agente racional egoísta” e a ideia de que se cada um fizer o que é melhor para si, acaba por ser melhor para todos.

Mas se as pessoas soubessem sempre o que é melhor para si, não compravam coisas a pensar que se vão sentir melhor por isso, não olhavam para o vizinho com inveja, davam mais atenção aos outros, procuravam ocupações que além de subsistência lhes davam significado e propósito…

Não é assim, e o que temos é uma corrida ao armamento, em que a única coisa que conta é ter cada vez mais não interessa porquê nem para quê, mas em que o preço é a nossa saúde mental, o ambiente, e a vida de todos os que são pobres “por culpa própria”. É por culpa deles que só vêem a pior televisão, que não lêem livros, que não imaginam outros projectos de vida, que não “arriscam”, que comem com a boca aberta, que não sabem uma língua estrangeira, que não procuram um emprego melhor, que são indiferentes a uma peça de Bach…

Entretanto as vozes que procuram levantar novas hipóteses são silenciadas e ostracizadas. Um economista aqui, demonstra que aumentar o salário minimo não provoca desemprego, mas tem que parar os seus trabalhos por afrontar contra o que a "economia representa". Outro ali levanta o problema do dumping social provocado pela globalização e passa a ser olhado de lado... Isto ao nível académico, antes ainda de chegar ao poder económico ou político.

E quando as pessoas chegam a um ponto em que votam contra este estado de coisas, como na Venezuela, Bolívia ou Equador, de repente deixam de ser "agentes racionais". Para votar, já são uns tontinhos que se deixam enganar.

20 maio, 2007

A Rússia imperial, a cores.



Aqui

Graças a DoDo

Popular CD Format



Para quem estiver menos familiarizado, os Pixies estão à direita, o pessoal mais maduro é banda da casa.

17 maio, 2007

The poor are honest, so let's f#@k 'em

Ouvido aqui:

"A banker told me 2 years ago that there had been an intellectual breakthrough in understanding for the banks that changed the whole way they did business. He looked at me and his eyes widened — this was in England — and he said “We found that the poor are honest!” and then he laughed uproariously as if “how dumb can you be?”.

The belief is that the poorer you are the more you believe as a matter of honor that you have to pay the debt that you owe.

It’s the opposite of Donald Trump. Who essentially whenever he can’t pay he goes to the bank and says “Boy are you in trouble. I can’t pay the loan. Let’s renegotiate it, I’ll give you 50 cents on the dollar”. And he was able to do that for instance for his Atlantic City properties."

Michael Hudson, Historiador de Economia.


Por isso os bancos deixaram de se preocupar com a capacidade de endividamento das pessoas. Elas irão até às ultimas, comendo arroz e feijão a vida toda para pagar uma divida que está muito acima das suas capacidades.
Estamos sempre a reinventar a escravidão.