Dedicado ao José, o Alfredo.
Cossack: "What's the source of all evil?"
Rabbi: "The Jews and the chimney sweeps."
Cossack: "Why the chimney sweeps?"
Rabbi: "Why the Jews?"
Retirado da Humorologia do poder.
23 outubro, 2008
22 outubro, 2008
...
Desde há uns anos para cá que sinto uma coisa de que este blogue é uma ténue expressão.
Trata-se de um sentimento de dívida.
Lembro-me das palavras de Leonard Cohen que já citei num post passado:
"A lot of those songs are just the response to what struck me as beauty.
Whenever that curious emanation from a being or an object or a situation or a landscape, you know... that had a very powerful effect on me... as it does on everyone...
And I prayed to have some response to the things that were so clearly beautiful to me, and they were alive"
Eu não escrevo canções. Nem poemas. Não pinto quadros. Não faço música. E não faço voluntariado. Não sou um activista. Não tomo posições de que outros se possam orgulhar.
Não chego, talvez, a tentar sequer ser a melhor pessoa que podia ser.
Por isso sinto, talvez de forma desproporcionada, um sentimento de divida para com todas as pessoas que me emprestaram alguma forma de beleza. Amigos, colegas, família, este ou aqueles estranho a quem nunca dirigi a palavra, sequer. Todos os que me tocaram com gestos, com palavras, com olhares, com choros, com objectos, com situações, com reprimendas, com safanões...
Nada do que faço me parece suficiente.
Mas pior, muito pior, nada do que faça me parece suficiente, e acabo por cair numa paralisia. Aquela que dá quando apenas um gesto largo nos satisfaz, e portanto nem um pequeno sabemos fazer.
E assim, posso apenas rezar como Cohen, mas a um deus em que não acredito, para que um dia tenha uma resposta.
Trata-se de um sentimento de dívida.
Lembro-me das palavras de Leonard Cohen que já citei num post passado:
"A lot of those songs are just the response to what struck me as beauty.
Whenever that curious emanation from a being or an object or a situation or a landscape, you know... that had a very powerful effect on me... as it does on everyone...
And I prayed to have some response to the things that were so clearly beautiful to me, and they were alive"
Eu não escrevo canções. Nem poemas. Não pinto quadros. Não faço música. E não faço voluntariado. Não sou um activista. Não tomo posições de que outros se possam orgulhar.
Não chego, talvez, a tentar sequer ser a melhor pessoa que podia ser.
Por isso sinto, talvez de forma desproporcionada, um sentimento de divida para com todas as pessoas que me emprestaram alguma forma de beleza. Amigos, colegas, família, este ou aqueles estranho a quem nunca dirigi a palavra, sequer. Todos os que me tocaram com gestos, com palavras, com olhares, com choros, com objectos, com situações, com reprimendas, com safanões...
Nada do que faço me parece suficiente.
Mas pior, muito pior, nada do que faça me parece suficiente, e acabo por cair numa paralisia. Aquela que dá quando apenas um gesto largo nos satisfaz, e portanto nem um pequeno sabemos fazer.
E assim, posso apenas rezar como Cohen, mas a um deus em que não acredito, para que um dia tenha uma resposta.
20 outubro, 2008
Lições de vida.
Quando resolvi desenvolver um pouco o meu interesse por fotografia, descobri um site de um cromo que é uma espécie de herói popular da fotografia online. Respeitado por uns e desprezado por outros. Espreito o site de vez em quando para ver o que ele tem a dizer sobre este ou aquele equipamento. Tudo, como dizem os ingleses, "with a pinch of salt".
Hoje, ele tinha isto para dizer:
"Showing up.
90% of photography, and life, is showing up. It doesn't matter what kind of camera you have if you're not there. "
Ken Rockwell.
Hoje, ele tinha isto para dizer:
"Showing up.
90% of photography, and life, is showing up. It doesn't matter what kind of camera you have if you're not there. "
Ken Rockwell.
17 outubro, 2008
16 outubro, 2008
Só para dizer
Que acabei ontem de ver a 5ª e última série de The Wire.
Acaba como começa. Porque afinal, o mundo não é feito de heróis e vilões mas de contextos sociais e económicos e por instituições e nada disto muda apenas porque fulano foi preso, sicrano resolveu um crime, ou Cyrano conquistou Roxanne. Por isso, quando a poeira finalmente assenta, o lugar deixado por uns porque subiram em glória ou cairam em desgraça, é ocupado por outros, e tudo fica na mesma.
Pelo menos, até à crise financeira.
Acaba como começa. Porque afinal, o mundo não é feito de heróis e vilões mas de contextos sociais e económicos e por instituições e nada disto muda apenas porque fulano foi preso, sicrano resolveu um crime, ou Cyrano conquistou Roxanne. Por isso, quando a poeira finalmente assenta, o lugar deixado por uns porque subiram em glória ou cairam em desgraça, é ocupado por outros, e tudo fica na mesma.
Pelo menos, até à crise financeira.
14 outubro, 2008
A Conclusão a Tirar.
No site DailyKos, em resposta a um post do abaixo citado Jerome, surgiu um comentário eloquente que achei por bem traduzir.
O comentário em si já era uma citação, e entretanto já foi identificado o autor e o texto completo de leitura muito recomendável onde se inclui este trecho que sintetiza tudo o que se passou antes:
“Dinheiro para construir e equipar generosamente milhares de escolas, com professores bem pagos e bem treinados, turmas pequenas, programas ricos e inspiradores.
Dinheiro para revitalizar zonas pobres, tornando-as lugares seguros e vibrantes onde crescem famílias, comunidades e negócios.
Dinheiro para providenciar cuidados de saúde, decentes e acessíveis, a cada cidadão, para dar aos mais velhos conforto e dignidade, e protecção e tratamento aos doentes mentais.
Dinheiro para oferecer formação superior acessível a todos os que o quisessem e para tal se qualificassem. Dinheiro para estabelecer e manter negócios locais, e produções familiares, centrados na comunidade local, enriquecidos pelos conhecimentos e necessidades das pessoas que lhes são próximas e não pelos ditames de corporações distantes.
Dinheiro para revitalizar uma infra-estrutura decrépitas, reparar pontes, fortalecer diques, manter estradas e redes eléctricas e de esgotos.
Dinheiro para sistemas de transportes públicos funcionais e acessíveis, para a implementação de formas diversificadas de produção energética, para um desenvolvimento sustentável e recuperação ambiental.
Dinheiro para suportar investigação livre, em ciência tecnologia, saúde, e outras áreas. Pesquisa não condicionada pela máquina de Guerra ou pelos lucros das corporações, mas antes votada ao melhoramento da vida humana.
Dinheiro para suportar cultura, aprendizagem educação continua, bibliotecas, teatros, musica e as infinitas manifestações da demanda humana por sentido, compreensão, entendimento, e uma vida mais rica e profunda.
O dinheiro para tudo isto e muito, muito mais, estava lá, o tempo todo.. Quando eles diziam que não podiam fazer estas coisas, ele mentiam, ou deixavam-se enganar pelos sumos sacerdotes do culto do Mercado. Quando quiseram um trilião de dólares para fazer Guerra no Iraque, o dinheiro apareceu. Agora quando querem triliões de dólares para resgatar especuladores, criminosos fraudulentos, e os que lucraram pela ganância no Mercado global, voltam a tê-los de repente.
Quem pode acreditar então que estes governos não podiam encontrar o dinheiro para boas escolas, boa saúde e todo o resto, que eles não podiam melhorar o bem estar e as vidas de milhões de cidadãos comuns, e ajudarem a criar um mundo mais justo, mais estável e com mais equidade, se quisessem?
Este é um dos principais factos que cidadãos vulgares de todo o mundo devem tirar desta crise. O dinheiro para manter, dar segurança e melhorar as vidas das suas famílias e comunidades, sempre existiu. Mas os seus governos, os seus partidos políticos, fizeram a escolha deliberada, livre, de não o usar para o bem comum.
Em vez disso, subjugaram o bem estar do mundo aos ditados de um culto de extremistas. Um culto de ganância e privilégio, que pregava um disciplina de ferro para os pobres e a classe media, mas libertava os ricos e poderosos de qualquer restrição e de qualquer responsabilidade pelos seus actos.”
O comentário em si já era uma citação, e entretanto já foi identificado o autor e o texto completo de leitura muito recomendável onde se inclui este trecho que sintetiza tudo o que se passou antes:
Beginning with Margaret Thatcher's election in 1979, government after government -- and party after party -- fell to the onslaught of an extremist faith: the narrow, blinkered fundamentalism of the "Chicago School." Epitomized by its patron saint, Milton Friedman, the rigid doctrine held that an unregulated market would always "correct" itself, because its workings are based on entirely rational and quantifiable principles. This was of course an absurdly reductive and savagely ignorant view of history, money and human nature; but because it flattered the rich and powerful, offering an "intellectual" justification for rapacious greed and ever-widening economic and social inequality, it was adopted as holy writ by the elite and promulgated as public policy."
“Dinheiro para construir e equipar generosamente milhares de escolas, com professores bem pagos e bem treinados, turmas pequenas, programas ricos e inspiradores.
Dinheiro para revitalizar zonas pobres, tornando-as lugares seguros e vibrantes onde crescem famílias, comunidades e negócios.
Dinheiro para providenciar cuidados de saúde, decentes e acessíveis, a cada cidadão, para dar aos mais velhos conforto e dignidade, e protecção e tratamento aos doentes mentais.
Dinheiro para oferecer formação superior acessível a todos os que o quisessem e para tal se qualificassem. Dinheiro para estabelecer e manter negócios locais, e produções familiares, centrados na comunidade local, enriquecidos pelos conhecimentos e necessidades das pessoas que lhes são próximas e não pelos ditames de corporações distantes.
Dinheiro para revitalizar uma infra-estrutura decrépitas, reparar pontes, fortalecer diques, manter estradas e redes eléctricas e de esgotos.
Dinheiro para sistemas de transportes públicos funcionais e acessíveis, para a implementação de formas diversificadas de produção energética, para um desenvolvimento sustentável e recuperação ambiental.
Dinheiro para suportar investigação livre, em ciência tecnologia, saúde, e outras áreas. Pesquisa não condicionada pela máquina de Guerra ou pelos lucros das corporações, mas antes votada ao melhoramento da vida humana.
Dinheiro para suportar cultura, aprendizagem educação continua, bibliotecas, teatros, musica e as infinitas manifestações da demanda humana por sentido, compreensão, entendimento, e uma vida mais rica e profunda.
O dinheiro para tudo isto e muito, muito mais, estava lá, o tempo todo.. Quando eles diziam que não podiam fazer estas coisas, ele mentiam, ou deixavam-se enganar pelos sumos sacerdotes do culto do Mercado. Quando quiseram um trilião de dólares para fazer Guerra no Iraque, o dinheiro apareceu. Agora quando querem triliões de dólares para resgatar especuladores, criminosos fraudulentos, e os que lucraram pela ganância no Mercado global, voltam a tê-los de repente.
Quem pode acreditar então que estes governos não podiam encontrar o dinheiro para boas escolas, boa saúde e todo o resto, que eles não podiam melhorar o bem estar e as vidas de milhões de cidadãos comuns, e ajudarem a criar um mundo mais justo, mais estável e com mais equidade, se quisessem?
Este é um dos principais factos que cidadãos vulgares de todo o mundo devem tirar desta crise. O dinheiro para manter, dar segurança e melhorar as vidas das suas famílias e comunidades, sempre existiu. Mas os seus governos, os seus partidos políticos, fizeram a escolha deliberada, livre, de não o usar para o bem comum.
Em vez disso, subjugaram o bem estar do mundo aos ditados de um culto de extremistas. Um culto de ganância e privilégio, que pregava um disciplina de ferro para os pobres e a classe media, mas libertava os ricos e poderosos de qualquer restrição e de qualquer responsabilidade pelos seus actos.”
Prova dos nove
Li, neste ensaio de Paul Krugman, o recém laureado Nobel da Economia, que Schumpeter se considerava o melhor economista, o melhor cavaleiro e o melhor amante da Áustria.
Concedendo que há rankings e honrarias académicas para o primeiro estatuto, concursos hípicos para o segundo, e assumindo que não há nenhum costume austríaco mais estranho que tenha escapado à minha cultura geral... a única forma que concebo de poder afirmar uma coisa dessas é ele falar por experiência própria, o que implica quiçá experimentar os outros todos.
Concedendo que há rankings e honrarias académicas para o primeiro estatuto, concursos hípicos para o segundo, e assumindo que não há nenhum costume austríaco mais estranho que tenha escapado à minha cultura geral... a única forma que concebo de poder afirmar uma coisa dessas é ele falar por experiência própria, o que implica quiçá experimentar os outros todos.
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