14 maio, 2010

É a p... da loucura.

Vamos lá a começar pelo princípio, ou pelo menos por um meio razoável. Há um par de anos o mundo estava para acabar porque havia umas agencias de rating que classificaram de forma errada uns produtos financeiros. Os tais créditos “sub prime” que estavam espalhados por múltiplos fundos por todo o mundo.

Ou seja, por incompetência ou fraude, essas entidades foram co-responsáveis pela crise, em conjunto com os bancos que tiveram a brilhante ideia de inventar aqueles produtos.

Como consequência da crise, tivemos personagens como Alan Greenspan a dizer que aquilo em que acreditou toda a vida de economista, estava errado. E tivemos uma data de gente a engolir umas melhor outras pior o que tinham dito ainda na semana anterior.

Ou seja, assistimos a um episódio em que foi posta em causa quer a idoneidade dos agentes financeiros, quer a própria teoria económica dominante em que se basearam a maior parte dos decisores económicos e políticos do Ocidente nos últimos 20 anos.

E dois anos depois, é como se nada disso significasse fosse o que fosse. Uns tipos que deviam estar no desemprego, ou na prisão, tecem considerações sobre a credibilidade de países, e os nossos politico tremem. E depois os nossos políticos correm a executar “soluções” que têm como pressuposto a tal teoria económica que demonstradamente causou a crise.

Se isto não acabar com uma explosão qualquer de irracionalidade colectiva, porque só a loucura parece fazer sentido face à loucura, teremos mais sorte do que merecemos.

12 fevereiro, 2010

A nova "gestão"

Este artigo saiu há uns dias no Público, Já tinha lido uns extractos, mas só hoje quando me enviaram por mail o li todo. Alguns extractos:


"E como as pessoas estão agora a competir entre elas, o êxito dos colegas constitui uma ameaça, altera profundamente as relações no trabalho: “O que quero é que os outros não consigam fazer bem o seu trabalho.”

Muito rapidamente, as pessoas aprendem a sonegar informação, a fazer circular boatos e, aos poucos, todos os elos que existiam até aí – a atenção aos outros, a consideração, a ajuda mútua – acabam por ser destruídos. As pessoas já não se falam, já não olham umas para as outras. E quando uma delas é vítima de uma injustiça, quando é escolhida como alvo de um assédio, ninguém se mexe…"

......

"Há técnicas que são ensinadas, que fazem parte da formação em matéria de assédio, com psicólogos a fazer essa formação.

Uma formação para o assédio?
Exactamente. Há estágios para aprenderem essas técnicas. Posso contar, por exemplo, o caso de um estágio de formação em França em que, no início, cada um dos 15 participantes, todos eles quadros superiores, recebeu um gatinho. O estágio durou uma semana e, durante essa semana, cada participante tinha de tomar conta do seu gatinho. Como é óbvio, as pessoas afeiçoaram-se ao seu gato, cada um falava do seu gato durante as reuniões, etc.. E, no fim do estágio, o director do estágio deu a todos a ordem de… matar o seu gato.

Está a descrever um cenário totalmente nazi...
Só que aqui ninguém estava a apontar uma espingarda à cabeça de ninguém para o obrigar a matar o gato. Seja como for, um dos participantes, uma mulher, adoeceu. Teve uma descompensação aguda e eu tive de tratá-la – foi assim que soube do caso. Mas os outros 14 mataram os seus gatos. O estágio era para aprender a ser impiedoso, uma aprendizagem do assédio.

Penso que há bastantes empresas que recorrem a este tipo de formação – muitas empresas cujos quadros, responsáveis de recursos humanos, etc., são ensinados a comportar-se dessa maneira."

Uma entrevista que chocará muitos menos aqueles que foram condicionados para não se chocarem, e que continuam a ser considerados os "casos de sucesso".

22 janeiro, 2010

Potencialmente vem aí uma nova espécie.


Ia lá eu deixar uma coisa destas sem divulgação?

20 janeiro, 2010

De vez em quando este blogue acaba

Acontece periodicamente, a intervalos de mais ou menos um ano. Fico completamente sem assunto. Não há nada que me estimule a escrever sobre os temas que escolheram ser os do Designorado.
Não há nenhuma revelação, descoberta... designorância, para partilhar. Amanhã pode ser diferente, mas de há uns dias para cá tem sido assim.
Sobre a economia e politica apenas posso dizer que partilho o sentimento daqueles que sentem alguma desolação por uma oportunidade perdida. Fica para a próxima crise, ou para quando esta se tornar insuportável. Mas aí esperemos que não se entorne o caldo.
Sobre a psicologia e sociologia apenas tenho lido o suficiente para confirmar que a ciência demora muito a transformar o senso comum. Sobretudo quando algumas fortunas e demais poderes dependem do senso comum vigente para se manterem.

Posto isto, posts pequeninos e enigmáticos como o anterior apenas sublinham aquilo que eu nunca quis que este espaço fosse, um blogue pessoal em que o assunto sou eu, mesmo que através do espelho de outros (assuntos).

O seu significado? Pois... dois dias depois nem eu sei se ele faz sentido. Quer dizer, fazer faz, não sei é se vem a propósito.

18 janeiro, 2010

Estranha sensação.

A de perder algo que nunca se teve.