27 março, 2009

Outra história da Crise

Esta inclui parágrafos como este:

"AIG is what happens when short, bald managers of otherwise boring financial bureaucracies start seeing Brad Pitt in the mirror. This is a company that built a giant fortune across more than a century by betting on safety-conscious policyholders — people who wear seat belts and build houses on high ground — and then blew it all in a year or two by turning their entire balance sheet over to a guy who acted like making huge bets with other people's money would make his dick bigger."

MATT TAIBBI - Rolling Stone

17 março, 2009

E também acho que Portugal vai ficar mais pequeno....

Monbiot diz a coisa certa no que respeita a mudanças climáticas.
Se agirmos como se não fosse possível fazer mais nada, o pior acontece de certeza.
E o pior é que já não vamos a tempo de evitar o aumento de 2°c de temperatura média do planeta.
Uma redução das emissões de 3% por ano a partir de 2020, poderá deixar-nos com mais 4° no final do século.
Se a estes aumentos estiver associada a expectável subida do nível do mar, todos aqueles cenários apocalípticos irão concretizar-se.

Os que dizem que não é preciso fazer nada, confiam na adaptabilidade do ser humano. O que eles não se lembram é que essa adaptabilidade histórica teve um custo humano distribuído por muitas e muitas gerações.

Um pouco como as coisas más que nos acontecem enquanto bebés e que felizmente não lembramos, como as dores dos dentes a crescer, as dores de crescimento da humanidade são uma coisa remota. Individualmente sempre houve quem se safasse, quem se desse bem, e nós, afinal, somos os filhos desses. Mas por cada um que se safou, quantos ficaram pelo caminho?

Mas agora temos no nosso horizonte um desastre. Não sabemos a sua escala exacta. Se as vitimas vão ser muitas ou poucas, se serão do norte ou do sul, brancas ou castanhas. Mas estaremos preparados para olhar para elas e dizer:

"Tu és o preço que temos que pagar... tem lá paciência..."

?

06 março, 2009

A sabedoria perdida



Gosto do que este senhor diz. Acho que é uma coisa que alguns, apesar de tudo, bem intencionados tecnocratas deviam ouvir. E nós também.

03 março, 2009

Schadenfreude

Os alemães têm esta palavra que lhes dá um jeitão. É a alegria que se sente com o mal dos outros.
Neste caso, não com o infortúnio dos islandeses, mas pela demonstração da estupidez que levou ao seu descalabro.
Fiz um pesquisa rápida de "Tigre Islandês", como era conhecido o país nos anos de crescimento a 6%. Saiu-me este texto de um site brasileiro, chamado Instituto Federalista e sobre o qual não sei mais nada.

Apenas algumas citações:

Os economistas falam no novo tigre europeu. Com 6% de crescimento do PIB em 2005, a Islândia ultrapassa outros países europeus. O Instituto Internacional de Desenvolvimento de Gestão Suíço classificou o país como a economia mais competitiva da Europa, em maio de 2005. Desde meados dos anos 90, o governo de centro-direita promoveu reformas de livre mercado, privatizando bancos, reduzindo impostos - empresas pagam somente 18% sobre os lucros, comparados com os 50% anteriormente - e desfazendo-se dos controles sobre os preços. A projeção da taxa de inflação até meados de 2007 é de 3,9% ao ano. A maior parte deste crescimento econômico se deve ao Primeiro Ministro David Oddsson e suas ações liberalizantes.
....
Por que a Islândia mudou? A tendência internacional em direção a liberalização econômica foi peça chave. Economistas de livre mercado como Friedrich von Hayek, James M. Buchanan e Milton Friedman visitaram o país nos anos 80, influenciando não somente o Sr. Oddsson mas muitos de sua geração. Na batalha das idéias, havia um reconhecimento em comum de que os velhos métodos não funcionavam. A inflação estava causando malefícios, as empresas estatais eram ineficientes e os subsídios eram caros. As idéias conspiraram com as circunstâncias para trazer as reformas econômicas bem sucedidas. E as idéias têm conseqüências...
Oh se têm.

.

Double or nothing

Conta-se que o xadrez foi inventado por um matemático que, instado a escolher uma recompensa pelo feito oferecida pelo seu Sultão, disse:
“O meu pedido é simples. Na primeira casa do tabuleiro, coloque um grão de trigo, o dobro na casa seguinte, e assim sucessivamente."

O Sultão achou que o matemático era estúpido, mas depressa descobriu que não tinha trigo suficiente no reino para cumprir prometido. Precisaria de (2 elevado a 64) – 1 grãos de trigo. Como não é imediato o que isso significa, aqui fica a ilustração: seria mais ou menos 400 vezes a produção mundial de trigo de 1990.

Esta história ilustra o que acontece numa função exponencial. Continuemos com mais um pedaço de aritmética: se tivermos algo que cresce a um ritmo constante num dado período de tempo há uma característica desse crescimento que é o tempo de duplicação. Por exemplo, algo que cresce 7% ao ano, duplica ao fim de 10 anos.

A fórmula é T2= 70/crescimento %.

Concretizando para os temas que nos interessam: uma economia que cresça 3% ao ano (um numero que é normalmente considerado razoável num pais moderno e industrializado, duplica em...

T2=70/3 = 23,3 anos.

Agora voltemos ao tabuleiro de xadrez. Se repararem, sempre que duplicamos os grão de trigo para a casa seguinte, temos em cada casa mais grãos do que em todas as casas anteriores.
1, 2, 4, 8, 16, 32, nas seis primeiras casas e vemos que na casa 6, 32 grãos são mais do que 1+2+4+8+16=31, os grãos das primeiras 5 casas.

Ou seja, para cada duplicação gastamos mais grãos do que precisámos até então desde o principio do tabuleiro.

É por isto que uma economia que cresce 3% ao ano, em cada 23,3 anos, consome tantos recursos como os que foram gastos desde que se começou a contar.
É por isso que insistir no crescimento quantitativo (de população, produção e consumo) é uma perspectiva suicida para pensar qualquer estratégia de desenvolvimento.

Já aqui tinha abordado este tema, mas a explicação matemática simples, bem como as suas implicações, foi obtida neste vídeo que tem um conteúdo muito mais interessante que o titulo.

27 fevereiro, 2009

Que cores vestimos nós?



...
I wear the black for the poor and the beaten down,
Livin' in the hopeless, hungry side of town,
I wear it for the prisoner who has long paid for his crime,
But is there because he's a victim of the times.
---
Well, we're doin' mighty fine, I do suppose,
In our streak of lightnin' cars and fancy clothes,
But just so we're reminded of the ones who are held back,
Up front there ought 'a be a Man In Black.
---
I wear it for the sick and lonely old,
For the reckless ones whose bad trip left them cold,
I wear the black in mournin' for the lives that could have been,
Each week we lose a hundred fine young men.
---
And, I wear it for the thousands who have died,
Believen' that the Lord was on their side,
I wear it for another hundred thousand who have died,
Believen' that we all were on their side.

Well, there's things that never will be right I know,
And things need changin' everywhere you go,
But 'til we start to make a move to make a few things right,
You'll never see me wear a suit of white.
...
Ah, I'd love to wear a rainbow every day,
And tell the world that everything's OK,
But I'll try to carry off a little darkness on my back,
'Till things are brighter, I'm the Man In Black.

Ou eu não me chame Susana