10 fevereiro, 2009

Foi a 19 de Janeiro

De 2006 que escrevi o meu pimeiro post. Não fazia ideia do que estava a fazer, claro. Na verdade ainda não sei.
Por isso vou comentar este artigo que li no outro dia. É uma peça sobre psicologia evolutiva, mais precisamente sobre a determinação genética das orientações políticas. Dá umas pinceladas sobre o assunto, deixando no ar o que se sabe: que numa medida razoável, estimada em 40%, os genes determinam se somos conservadores ou liberais, de direita ou de esquerda, autoritários ou libertários (estava tentado a dizer libertinos, depois explico porquê).

Isto não adianta discutir muito a não ser que sejamos académicos, e estejamos aptos a contrapor as nossas próprias evidências. É assim que eu lido com a ciência. Se eles dizem que é assim, e ninguém tem nada de significativo a obstar, é com isso que eu construo o meu puzzle da existência, que tenho um mas não sei de quantas peças é.

O autor faz todas as ressalvas que se exigem. Isto serve apenas para concluir sobre populações e não indivíduos, o espectro das ideias é complexo e um conservador económico poder ser um liberal social, por exemplo. Etc etc. Não há cá determinismo biológicos absolutos. Há tendências, que podem em determinadas condições ser potenciadas ou contrariadas. Ou seja ainda há a ilusão de livre arbítrio por um lado, e espaço receber influencias do meio por outro.

Onde fiquei de olho arregalado foi quando o autor se alargou sobre os estudos da personalidade autoritária. Diz ele e bem, que os estudos deste tipo de personalidade sempre incidiram sobre os autoritários de direita. Mas, argumenta ele, não faltam autoritários à esquerda, e ninguém fala deles. E dá exemplos de múltiplos incidentes em que esquerdistas tentaram impor a sua vontade sobre os outros, ou sobre ele próprio, tentando inclusive inibir a sua liberdade de expressão.
Isto dou de barato porque gente histérica há em todo o lado.

A minha referência em autoritarismo é o Prof. Robert Altemeyer, cujo livro de divulgação está disponível gratuitamente online, e ele diz sobre o assunto que nos EUA a amostra de pessoas de esquerda autoritária não é suficientemente grande para suportar um trabalho da dimensão do que foi feito desde os anos 50 sobre os RWA (right wing authoritarians), e depois, nos dados trocados com colegas russos parece indicar que os conservadores soviéticos correspondem essencialmente ao mesmo tipo de personalidade, portanto a distinção se existe não é por aqui...

Portanto houve no artigo algo que me encanitou. Este trecho:

"A better way to determine if authoritarianism is genetic would be to ask people what the country’s biggest problems are. Liberals might say the inequality of income or the danger of global warming; conservatives might indicate the tolerance of abortion or the abundance of pornography. You would then ask each group what they thought should be done to solve these problems. An authoritarian liberal might say that we should tax high incomes out of existence and close down factories that emit greenhouse gases. A conservative authoritarian might suggest that we put abortion doctors in jail and censor books and television programs. This approach would give us a true measure of authoritarianism, left and right, and we would know how many of each kind existed and something about their backgrounds. Then, if they had twins, we would be able to estimate the heritability of authoritarianism. Doing all this is a hard job, which may explain why no scholars have done it."

Ele considera simetricamente autoritário querer impor escolhas individuais e limitação da liberdade de expressão e circulação de ideias (os temas dos conservadores) ou exigir que uma industria pague o verdadeiro preço pelo seu produto, ou seja, que não externalize custos penalizando muitos (todos) para beneficio de alguns (o tema dos liberais no que toca ao ambiente e impostos).

Este tipo de distorção e falsas equivalências é muito comum, e foi uma das coisas que aprendi a detectar e expor em 3 anos de designorância.

Estão a ver que até tinha que ver com o aniversário?

3 anos...

Então esta porcaria faz 3 anos em Janeiro e ninguém me diz nada???
Eu que gramo tanto fazer balanços...

pequena adenda:
Se o meu blogue fosse um cão, teria 21 anos...

07 fevereiro, 2009

Realmente...


DSC_5361
Originally uploaded by el.rodrigues

Eu de novo armado em fotógrafo desta vez com uma Garça Real, se a minha ornitologia velha de vinte anos não me engana...

02 fevereiro, 2009

As melhores pessoas

Um dos argumentos mais cómicos, se fizessem rir, que os banqueiros de Wall Street têm contra a nacionalização dos seus bancos falidos, e que é o mesmo que usam para justificar os bónus pagos no final deste ano, já com o dinheiro dos contribuintes, é o de que só com estas práticas podem continuar a seduzir "as melhores pessoas".

De resto, sempre me fez confusão este argumento aplicado ao serviço público advogando remunerações faustosas para politicos, para assim seduzir "as melhores pessoas". Acho duvidoso que alguém cuja principal motivação seja o enriquecimento material próprio, tenha o melhor perfil para servir a sociedade. Mas enfim.

"Melhor" parece ser definido nesta retórica como "a mais capaz de se encher de dinheiro, e que se lixe todo o resto", (nem podemos falar de gerar valor para os accionistas, que esses também estão a arder).

Portanto o que a primeira situação tem de cómico é que foram, e ainda vão sendo, as "melhores pessoas" a atirar bancos e famílias para a falência. E as melhores pessoas querem licença para continuar a fazê-lo. Eu acredito que a maior parte não saberá funcionar noutro sistema.

Deve ser inimaginável para essas pessoas que um executivo de um banco (que depende do estado para não falir) ganhe no máximo tanto como o presidente do país, por exemplo. Coisa que foi sugerida recentemente por uma senadora democrata, do Missouri, creio. Mas ela não devia respeitar as "melhores pessoas", porque se referiu a elas como "idiotas".

As "Melhores Pessoas" nao estão interessadas nisto. Se esse for o caminho da Banca, estou certo que as "melhores pessoas" deverão ir emprestar o seu génio a outras industrias que reconhecem o seu valor. Como, sei lá, a do petróleo, a das armas, ou até a de casacos de foca bebé. É um mundo de oportunidades.

28 janeiro, 2009

Dear Davos

A CNN convidou algumas vozes da blogosfera a escrever perguntas que seriam colocadas no Forum Económico Mundial, em Davos.
A pergunta formulada pelo, muitas vezes citado no Designorado, Eurotrib foi logo a primeira:

"Why are we still listening to the people whose ideas and policies drove us into the current crisis?"

A resposta, para quem quisesse ouvir era simples:

"Porque ainda somos nós que temos o poder."

Ocorrem-me soluções (de resto, já testadas) para esse problema. Infelizmente, todas envolvem guilhotinas.

27 janeiro, 2009

História Viva

A Vanity Fair tem uma peça chamada "A História Oral da Administração Bush".
Ao que parece alguns protagonistas já começaram a contar como foi.

A mim só me ocorreu, mente simples que sou, como teria sido diferente uma história oral da administração Clinton. E provavelmente mais interessante.

26 janeiro, 2009

Dois seguidos

dois post de Youtube...
e Jazz...
Mas eu sou assim de impulsos... e só hoje é que descobri exactamente quem era Max Roach...