Uma colecção de cromos com os Prémios Nobel.
Só a inexistência de uma explica que eu nunca tivesse ouvido falar de Harold Pinter.
Depois de ler este discurso escrito para George Bush no a Tiny Revolution, fiquei com uma melhor noção de como posso ser lamentável.
'God is good. God is great. God is good. My God is good. Bin Laden's God is bad. His is a bad God. Saddam's God was bad, except he didn't have one. He was a barbarian. We are not barbarians. We don't chop people's heads off. We believe in freedom. So does God. I am not a barbarian. I am the democratically elected leader of a freedom-loving democracy. We are a compassionate society. We give compassionate electrocution and compassionate lethal injection. We are a great nation. I am not a dictator. He is. I am not a barbarian. He is. And he is. They all are. I possess moral authority. You see this fist? This is my moral authority. And don't you forget it.'
29 dezembro, 2008
23 dezembro, 2008
Saber da poda
Há uns anos demasiado largos para eu me sentir bem, era eu aluno da licenciatura em Biologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, fui levado por um professor a ver o trabalho dos podadores a soldo da Câmara local, numa avenida da cidade.
Era uma iniciativa com cariz de protesto. A poda que tinha sido feita era desastrosa, desadequada às espécies em causa, expondo-as a doenças e não cumprindo o que deve ser a função da poda, que é a revitalização das árvores.
De acordo com a palestra do professor, devia-se isto a fazerem o recrutamento dos podadores numa zona do pais onde a técnica fazia sentido para as espécies dominantes, e na sua maioria com aproveitamento económico.
(A distância no tempo é a única desculpa que tenho para a falta de pormenores técnicos na descrição que acabei de fazer. Estou um cabeça de alho chocho.)
Vem isto tudo a propósito de um post do Eurotrib.com sobre o que correntemente se passa nos bancos. Estes estão numa fase de se desfazerem de todos os maus activos que acumularam nos anos anteriores de tão apregoada prosperidade, é sempre bom lembrar. Estão a fazer isso assumindo prejuízos, ou tentando passá-los a outros: nós. É a poda banqueira.
Neste pânico, estão também a cortar com tudo o que seria investimento, no receio de adquirir mais activos maus. É aqui que entra a história da poda. O sector bancário, e o português parece ser um caso particularmente grave nesse aspecto, revela-se incapaz de cumprir a sua função de lubrificador da actividade económica. Habituou-se a cortar a direito, financiando consumo, e agora não sabe distinguir os ramos que dão frutos dos que estão secos. Estamos todos podados.
Lembro-me sempre de um episódio contado pelo ex-presidente Sampaio, de um industrial de uma fábrica de máquinas que recebeu um representante de um banco com intenção de financiar uma expansão da actividade. O bancário ao ver as máquinas paradas perguntou: mas afinal que é que o senhor faz aqui? Aqui fazemos máquinas para a industria. E respondeu o bancário: Fazer? Mas isso não se compra?
E é com este tipo de mentalidade (se alguém souber de outra diga por amor do Menino Jesus) que temos que encontrar os mecanismos financeiros para revitalizar a actividade económica.
Bom natal.
Era uma iniciativa com cariz de protesto. A poda que tinha sido feita era desastrosa, desadequada às espécies em causa, expondo-as a doenças e não cumprindo o que deve ser a função da poda, que é a revitalização das árvores.
De acordo com a palestra do professor, devia-se isto a fazerem o recrutamento dos podadores numa zona do pais onde a técnica fazia sentido para as espécies dominantes, e na sua maioria com aproveitamento económico.
(A distância no tempo é a única desculpa que tenho para a falta de pormenores técnicos na descrição que acabei de fazer. Estou um cabeça de alho chocho.)
Vem isto tudo a propósito de um post do Eurotrib.com sobre o que correntemente se passa nos bancos. Estes estão numa fase de se desfazerem de todos os maus activos que acumularam nos anos anteriores de tão apregoada prosperidade, é sempre bom lembrar. Estão a fazer isso assumindo prejuízos, ou tentando passá-los a outros: nós. É a poda banqueira.
Neste pânico, estão também a cortar com tudo o que seria investimento, no receio de adquirir mais activos maus. É aqui que entra a história da poda. O sector bancário, e o português parece ser um caso particularmente grave nesse aspecto, revela-se incapaz de cumprir a sua função de lubrificador da actividade económica. Habituou-se a cortar a direito, financiando consumo, e agora não sabe distinguir os ramos que dão frutos dos que estão secos. Estamos todos podados.
Lembro-me sempre de um episódio contado pelo ex-presidente Sampaio, de um industrial de uma fábrica de máquinas que recebeu um representante de um banco com intenção de financiar uma expansão da actividade. O bancário ao ver as máquinas paradas perguntou: mas afinal que é que o senhor faz aqui? Aqui fazemos máquinas para a industria. E respondeu o bancário: Fazer? Mas isso não se compra?
E é com este tipo de mentalidade (se alguém souber de outra diga por amor do Menino Jesus) que temos que encontrar os mecanismos financeiros para revitalizar a actividade económica.
Bom natal.
18 dezembro, 2008
O medo do conhecido
Nestes tempos de incerteza mesmos alguns dos que se consideram mais informados, esclarecidos e influentes parecem paralisados. O mundo tem que mudar, mas ninguém sabe como nem para o quê. Alguns percebe-se porquê. No meio de todos os tumultos e depressões mantém posições de poder. Mexerem-se numa qualquer direcção pode significar descer um degrau, dois ou todos.
Mas a maior parte de nós não tem tanto a perder. Tem apenas a convicção de que nada pode ficar como dantes. Mas quando se fala em “antes” há que esclarecer.
A situação a que chegámos é fruto de uma série de movimentos intelectuais, políticos e económicos que tiveram lugar nos últimos 30 e poucos anos.
Se formos mais antes, podemos observar de ambos os lados do atlântico, segundo todos os indicadores, o que foi o período de maior riqueza e justiça social da história da humanidade.
No pós-guerra foi possível criar projectos de sociedade e governação que eram inclusivos, que mantinham as economias saudáveis, que proporcionavam saúde e educação a largas faixas da população. De uma forma geral é a isto que chamo Social Democracia. Se era feita por Socialistas ou trabalhistas ou democratas cristãos, republicanos ou democratas é indiferente. Mas foi um período melhor do que os anteriores, melhor do que os que vieram depois.
A história não é circular, as coisas evoluem. Hoje não é o aço ou o carvão. Ou pelo menos não deveria ser. Hoje não há (formalmente) colónias em África, e os direitos humanos são reconhecidos por quase todos.
Mas estou convencido de que não há que ter medo de experimentar o que já resultou antes. Refrescado, aligeirado aqui e ali, reforçado onde for preciso.
Nunca esquecendo que não é um sistema perfeito. Porque se fosse, não teria dado origem ao que lhe sucedeu.
Mas a maior parte de nós não tem tanto a perder. Tem apenas a convicção de que nada pode ficar como dantes. Mas quando se fala em “antes” há que esclarecer.
A situação a que chegámos é fruto de uma série de movimentos intelectuais, políticos e económicos que tiveram lugar nos últimos 30 e poucos anos.
Se formos mais antes, podemos observar de ambos os lados do atlântico, segundo todos os indicadores, o que foi o período de maior riqueza e justiça social da história da humanidade.
No pós-guerra foi possível criar projectos de sociedade e governação que eram inclusivos, que mantinham as economias saudáveis, que proporcionavam saúde e educação a largas faixas da população. De uma forma geral é a isto que chamo Social Democracia. Se era feita por Socialistas ou trabalhistas ou democratas cristãos, republicanos ou democratas é indiferente. Mas foi um período melhor do que os anteriores, melhor do que os que vieram depois.
A história não é circular, as coisas evoluem. Hoje não é o aço ou o carvão. Ou pelo menos não deveria ser. Hoje não há (formalmente) colónias em África, e os direitos humanos são reconhecidos por quase todos.
Mas estou convencido de que não há que ter medo de experimentar o que já resultou antes. Refrescado, aligeirado aqui e ali, reforçado onde for preciso.
Nunca esquecendo que não é um sistema perfeito. Porque se fosse, não teria dado origem ao que lhe sucedeu.
17 dezembro, 2008
Truques da mente
Estava eu a ler o blog de Paul Krugman no New York Times quando deparei com o seguinte parágrafo citando Mathew Yglesias:
"The harsh reality is that this was not a noble undertaking done for good reasons. It was a criminal enterprise launched by madmen cheered on by a chorus of fools and cowards."
Juro que pensei que ele estava a falar da versão da Economia de Mercado que nos trouxe a este lindo estado.
Afinal, falava do Iraque. Vá-se lá perceber.
"The harsh reality is that this was not a noble undertaking done for good reasons. It was a criminal enterprise launched by madmen cheered on by a chorus of fools and cowards."
Juro que pensei que ele estava a falar da versão da Economia de Mercado que nos trouxe a este lindo estado.
Afinal, falava do Iraque. Vá-se lá perceber.
16 dezembro, 2008
O Don Branco
Não conheço bem os detalhes do último escândalo financeiro envolvendo o ex-presidente do NASDAQ. Na verdade na altura, pareceu-me apenas mais um, sendo que desta vez, pelos vistos, até pelas regras actuais aquilo era crime.
Um esquema de pirâmide, afinal, era aquilo em que consistia toda a "riqueza criada" nos ultimos anos, a base das fortunas que se fizeram na área financeira, (que inclusive expulsaram os advogados ricos das zonas mais caras das Hamptons), e que deu a ilusão a alguns de poderem fazer algo a partir de nada.
Talvez por o negócio legal e institucional ser um esquema de pirâmide, em que no fim quem paga é o estado/contribuinte/nós todos que não temos dinheiro em off-shores, este senhor tenha sido tão bem sucedido. Afinal, qual era a diferença entre o que ele fazia e o que era prática corrente?
Nota: Uma das razões para ter abrandado substancialmente nos ultimos dias, tirando o facto de ter tirado umas férias curtas, é o facto de já não ser preciso sublinhar que o mundo em que vivemos está podre precisamente onde parecia estar mais brilhante. Agora espero que entre pelos olhos adentro de qualquer pessoa minimamente informada.
O que está por fazer é enorme. Potencialmente a maior revolução da história da humanidade: a criação de um sistema que não pressupõe crescimento linear infinito. Um sistema em que não temos que invadir vizinhos, queimar florestas, esventrar solos, deixar morrer à fome os que têm azar ao nascer, idealmente fazer com que nascer fosse sempre uma coisa boa. Eu acho que é possível. Mas só se
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Um esquema de pirâmide, afinal, era aquilo em que consistia toda a "riqueza criada" nos ultimos anos, a base das fortunas que se fizeram na área financeira, (que inclusive expulsaram os advogados ricos das zonas mais caras das Hamptons), e que deu a ilusão a alguns de poderem fazer algo a partir de nada.
Talvez por o negócio legal e institucional ser um esquema de pirâmide, em que no fim quem paga é o estado/contribuinte/nós todos que não temos dinheiro em off-shores, este senhor tenha sido tão bem sucedido. Afinal, qual era a diferença entre o que ele fazia e o que era prática corrente?
Nota: Uma das razões para ter abrandado substancialmente nos ultimos dias, tirando o facto de ter tirado umas férias curtas, é o facto de já não ser preciso sublinhar que o mundo em que vivemos está podre precisamente onde parecia estar mais brilhante. Agora espero que entre pelos olhos adentro de qualquer pessoa minimamente informada.
O que está por fazer é enorme. Potencialmente a maior revolução da história da humanidade: a criação de um sistema que não pressupõe crescimento linear infinito. Um sistema em que não temos que invadir vizinhos, queimar florestas, esventrar solos, deixar morrer à fome os que têm azar ao nascer, idealmente fazer com que nascer fosse sempre uma coisa boa. Eu acho que é possível. Mas só se
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09 dezembro, 2008
Dúvida de cidadania
Como é que se faz para, nas próximas legislativas, não votar em deputados absentistas?
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