10 maio, 2007

Sobre a beleza



"A lot of those songs are just the response
to what struck me as beauty.

Whenever that curious emanation
from a being or an object or a situation or a landscape, you know...
that had a very powerful effect on me...
as it does on everyone...

And I prayed to have some response
to the things that were so clearly beautiful to me,
and they were alive"

Leonard Cohen

09 maio, 2007

Superioridades Morais

Ontem já tarde e más horas vi o Prós e Contras sobre esquerda e direita, com Adriano Moreira, Mário Soares, Paulo Rangel e Miguel Portas.

Uma das coisas que Paulo Rangel fez questão de afirmar foi que não havia uma Superioridade Moral da esquerda sobre a direita. É uma coisa que tenho lido por aí. Mas pareceu-me naquele debate que havia uma clara superioridade moral da parte de Adriano Moreira sobre Paulo Rangel. Mas não sei se ele se apercebeu disso.

Curiosamente houve muito mais pontos de contacto no plano dos principios, na identificação dos problemas e da perspectivação de soluções ou caminhos, entre Adriano Moreira e os seus "opositores" da esquerda do que com o seu companheiro de carteira.

Ao enumerar alguns principios nomeadamente na área da Solidariedade Social, Adriano Moreira interrogou-se: "sou de esquerda?". Lembrei-me de um post que escrevi há dias. Há pessoas de bem à esquerda e à direita. Se nos cingirmos à esfera pública, ao contrato social, às linhas de ética estruturantes, (e deixarmos de forma a esfera privada, dos hábitos e dos costumes), há muito mais a unir essa esquerda e essa direita do que a separá-las.

E, quanto a mim, urge que haja diálogo e concertação de esforços contra a outra direita, laica, que inventou uma ideologia a partir da separação da esfera económica daquilo que lhe dá origem e suporte: a humanidade.

(hmm... este post tb não é nada típico... um dia destes tenho que mudar o template do blog, só porque sim)

07 maio, 2007

A globalização começa a chegar aos joelhos.

Este artigo é muito interessante.
Mas não pelas razões que o autor provavelmente acha. Para quem não tem pachorra para ler, é um senhor (economista e professor) que se considera um "free-trader" da cabeça aos pés. Mas é um herege, acha ele, entre os seus pares, por considerar que a globalização é capaz de afinal não ser uma coisa assim tão magnífica.

Não deita a toalha ao tapete, claro. Na melhor das tradicões dos economistas da sua estirte, mantém que o futuro eventualmente trará dias risonhos, quando todos se tiverem adaptado à mudança.

A questão que ele levanta é a saida de postos de trabalho americanos para paises como a China e a India. Ele fala das forças a actuar na dita globalização (tecnologia e a "entrada" de 1,5 biliões de pessoas para o "mercado de trabalho") e depois escreve este parágrafo.

"For these same forces don't look so benign from the viewpoint of an American computer programmer or accountant. They've done what they were told to do: They went to college and prepared for well-paid careers with bountiful employment opportunities. But now their bosses are eyeing legions of well-qualified, English-speaking programmers and accountants in India, for example, who will happily work for a fraction of what Americans earn. Such prospective competition puts a damper on wage increases. And if the jobs do move offshore, displaced American workers may lose not only their jobs but also their pensions and health insurance. These people can be forgiven if they have doubts about the virtues of globalization."

Este parágrafo encerra a razão porque esta gente não pode ser levada a sério. Na minha modesta opinião.

Quando a vida de milhares de trabalhadores industriais começou a ser afectada um pouco por toda a parte de há 30 anos para cá, era normal, era o progresso, era inevitável, "business as usual". Agora que o "off-shoring" começa a afectar a classe a que pertencem, já lhes dá para ter dúvidas.

E depois sustenta a ideia de que a saida é apostar ainda mais em inovação e tecnologias de ponta, e formar pessoas em trabalhos que não são susceptiveis de ser exportados (basicamente tudo o que exija a presença fisica de alguém, como construção civil ou pediatria).

Pode ser que sim, se ele acha que os outros países que estão a capturar a industria não têm a capacidade de ultrapassar os EUA. A pesquisa e desenvolvimento acompanha as fábricas mais modernas, afinal, e essas estão a nascer fora dali. E não há-de ser por falta de talentos.

E quanto aos outros trabalhos, podem fazer numeros bonitos no PIB mas representam zero em matéria de balança comercial. Por isso um dia destes, deixam de poder comprar o que os chineses produzem. Depois quero ver.

04 maio, 2007

E agora uma coisa completamente diferente



Escusam de perguntar.

Às armas, cidadãos

Num derradeiro esforço de influenciar de alguma forma o sentido de voto nas próximas eleições em França, um dos principais autores do Eurotrib elaborou um artigo completamente factual sobre a realidade económica daquele país.

Sei que são menos de um, os leitores deste blog que vão votar em França no sábado, e além disso ninguém lê blogues ao fim de semana, mas é sempre educativo ver os factos por detrás de uma narrativa. Convido todos os vagamente interessados a passear os olhos pelo artigo que está em francês e inglês.

Chamo também a atenção para as palavras do autor: São factos, não é uma narrativa. Ou seja, é potencialmente pouco sedutor.

E é esse o problema com o discurso neo-liberal: é sedutor, apela a emoções e a uma auto-imagem heroica, individualista, vencedora e independente. Mas está completamente desligado dos factos. Há uma total desconexão com a realidade que não o impede de ser prevalecente entre demasiado dirigentes políticos.

Agora imaginem uma Europa, sobre a qual podemos ser chamados a votar, dirigida por Barroso, Merkel, Sarkosy e Blair, que está de saída em Inglaterra mas já pisca um olho a um poleiro Europeu, todos adeptos da narrativa, e alheios aos factos. Será isso mesmo que queremos?

Se arranjar tempo, ainda trato de traduzir os principais pontos do artigo para aqui.
(este Designorado já não é o que era...que militância....)

02 maio, 2007

Coisas que fazem pensar

A Maria honrou este cantinho com uma distinção que muito agradeço. Caber-me-ia distinguir outros tantos blogs. Como se pode ver pela lista ao lado, não são muitos os que referencio. Embora eu espreite regularmente mais do que ali estão. Os que ali estão, estão por outros critérios.

De qualquer modo, vou aproveitar este post para partilhar as minhas fonte mais constantes, que não são blogues a que possa transmitir o testemunho, mas que não deixam de ser sítios interessantes para explorar a quem estiver interessado.

Primeiro que todos, o Eurotrib. Um blog nascido do americano DailyKos, mas virado para a Europa. Ali descobre-se um pouco de tudo, fruto de uma rica e heterogénea comunidade. Um dos pratos principais são as frequentes desconstruções de artigos da imprensa financeira, FT e Economist. E descobre-se porque é que os factos não suportam uma data de coisas que nos andam a querer fazer crer. Além disso dada a multiplicidade de contribuições, acaba por funcionar como um portal bastante dinâmico.

Depois, dentro do género, gosto de manter em dia os artigos que George Monbiot publica no Guardian. É um jornalista militante, ambientalista, pessimista, mas que penso ninguém pode acusar de não fazer bem o seu trabalho. Também espreito com alguma frequência as páginas de opinião do dito Guardian.
O outro jornal que tenho debaixo de olho é o Asia Times Online muito por culpa dos artigos monumentais (e por vezes esmagadores) deste senhor.

Mantenho também debaixo de olho o Project Syndicate onde alguns nomes sonantes publicam regularmente.

Finalmente, Edge.org, um site que coloca em discussão algumas das melhores cabeças da ciência. Para ver sempre. Em companhia com um primo mais multimédia, chamado TED.

E pronto. Nem tudo é trigo, também há joio, mas com isto já se fazem umas boas carcaças.

O resto são livros.

01 maio, 2007

Mercados livres

Hoje fiquei a saber que nos Estados Unidos há cerca de 3 milhões de patentes em vigor. Ou seja, se alguém quiser abrir um negócio, é melhor ter a certeza de que não está a infringir nenhuma delas. Lá se vai o mito do mercado onde o governo não interfere, não é? Ou quem achamos que garante aquelas patentes?



(Este é um post no espirito inicial do Designorado, que foi adulterado desde o primeiro. A ideia original era simplesmente era ir divulgando coisas que ia aprendendo sobre este mundo em que vivemos. Depois houve uns temas que me dominaram o interesse e tomaram conta disto.)