12 março, 2007

Quem tramou Henry George?

Só recentemente ouvi este nome pela primeira vez. Tendo em conta que é um economista americano do século 19 cujas ideias foram abandonadas pelas academias isso não é muito estranho.

Já se torna mais interessante se, de acordo com alguns autores, o esquecimento do seu nome tiver sido premeditado, deliberado e, até, orquestrado.

No seu livro "Progress and Poverty" Henry George considera três meios de produção de riqueza: propriedade, trabalho e capital. As propriedades geram rendas, o trabalho gera salários, o capital gera juros. A riqueza produzida por uma sociedade é a soma das rendas dos salários e dos juros.

A questão que George levantou foi uma questão moral: Porque é que um proprietário de terras há-de beneficiar do simples acto de posse? Sendo que essa posse, em si, não aporta nada à sociedade, e é muito frequentemente fruto de pura sorte?

O pagamento de rendas gera um peso sobre os rendimentos de quem trabalha, como George verificou dramaticamente nas suas viagens pela Irlanda, e a especulação de terras gera pobreza, já que faz aumentar o preço das rendas.

George também defendia que todos as actividades tendencialmente monopolistas, como transportes e comunicações, fossem posse do estado, para benefício de todos.

"Progress and Poverty" foi um "best-seller" no seu tempo. Ainda detém o record do livro de economia mais vendido de sempre. Mas as ideias de George nasceram precisamente na época dos "Robber Barons", magnatas que fizeram as suas fortunas apropriando-se de terras e explorando monopólios. E estes foram os principais financiadores das Universidades Americanas onde nasceria a economia neo-clássica.

A Universidade de Chicago, em particular, terá sido criada para albergar, sob a asa de Rockefeller, os criadores de um discurso económico destinado a obliterar as ideias de George. Foram bem sucedidos. A tal ponto que hoje, ainda, é quase impossivel tentar reenquadrar a disciplina sem ser intitulado fantasista ou utópico.

05 março, 2007

Alguém me explica?

Porque é que ao abrigo do conceito jurídico de "Direitos adquiridos" uma cimenteira pode continuar a destruir um Parque Natural, mas o mesmo conceito parece ser inaplicável a direitos sociais como horas extraordinárias pagas, ou uma reforma decente, ou assistência médica gratuita?
(Se é uma questão de custos, gostava de ver os primeiros quantificados...)


Porque é que se confunde tanto "criação de riqueza" com "captura de riqueza"?
(Se os ganhos de produtividade revertem exclusivamente para os accionistas e CEO's, estão muito simplesmente a roubar, capturar para ser mais PC, a riqueza de quem produz mais...)


Porque é que, sendo uma premissa do capitalismo que quanto maior for o bolo mais há para todos, nunca parece ser boa altura para repartir o bolo?
(Se há crise, não se aumentam os ordenados para gerar competitividade, se está estável, não se aumentam ordenados para não desestabilizar, se há crescimento, não se aumentam os ordenados para não o travar.)

02 março, 2007

O Pai Adão

Porque é que os defensores da "Mão Invisível" dos mercados não parecem ter lido tudo o que escreveu Adam Smith?

But though in disputes with their workmen, masters must generally have the advantage, there is however a certain rate below which it seems impossible to reduce, for any considerable time, the ordinary wages even of the lowest species of labour.

A man must always live by his work, and his wages must at least be sufficient to maintain him. They must even upon most occasion be somewhat more; otherwise it would be impossible for him to bring up a family, and the race of such workmen could not last beyond the first generation.

...

We rarely hear, it has been said, of the combinations of masters; though frequently of those of workmen. But whoever imagines, upon this account, that masters rarely combine, is as ignorant of the world as of the subject.

Masters are always and every where in a sort of tacit, but constant and uniform combination, not to raise the wages of labour above their actual rate.

To violate this combination is every where a most unpopular action, and a sort of reproach to a master among his neighbours and equals. We seldom, indeed, hear of this combination, because it is the usual, and one may say, the natural state of things which nobody ever hears of. Masters too sometimes enter into particular combinations to sink the wages of labour even below this rate. These are always conducted with the utmost silence and secrecy, till the moment of execution, and when the workmen yield, as they sometimes do, without resistance, though severely felt by them, they are never heard of by other people.

Adam Smith - The Wealth of Nations

27 fevereiro, 2007

Peak Beer

O último alarme do impacto do declinio da extracção de petróleo, (para o menos atentos, designa-se como Peak Oil o ponto em que a oferta de crude deixa de ser suficiente para a procura), vem de um sector que ainda não me tinha ocorrido, mas que faz todo o sentido.

Os recentes esforços de promoção da produção de bio-diesel como alternativa renovável, levaram já muitos produtores agrícolas a abandonar as culturas de cevada para adoptar outras destinadas à produção de energia. Resultado: responsáveis de cervejeiras como a Heineken já vieram alertar para o impacto no preço e capacidade produtora de cerveja a nível mundial.

Junta-se isto ao resto dos cereais, base de toda a indústria alimentar, e temos um problema sério.

A perspectiva de que temos hoje a capacidade de eliminar a fome no mundo está a ser posta em causa pela sede energética. Se as colheitas para alimentação forem substituidas por colheitas para energia, não vai chegar para todos, nem para comer, nem para ir de férias ao Brasil por 500 euros, tudo incluído. E pelo meio não se faz nada de relevante contra as emissões com efeito de estufa.

Ora, estas questões não são novas, mas a opinião pública não parece particularmente motivada para as enfrentar. Será que o fará se tiver que começar a comer tremoços sem acompanhamento?

15 fevereiro, 2007

Gente Incomum

She came from Greece, she had a thirst for knowledge
She studied sculpture at Saint Martin's College
That's where I caught her eye
She told me that her Dad was loaded
I said "In that case I'll have rum and coca-cola
She said "fine"
And then in 30 seconds time she said
"I want to live like common people
I want to do whatever common people do
I want to sleep with common people
I want to sleep with common people like you"
Well what else could I do?
I said "I'll see what I can do"
I took her to a supermarket
I don't know why
but I had to start it somewhere
so it started there
I said "pretend you've got no money"
but she just laughed
and said "oh you're so funny"
I said "Yeah
Well I can't see anyone else smiling in here
Are you sure
you want to live like common people
you want to see whatever common people see
you want to sleep with common people
you want to sleep with common people like me?"
But she didn't understand
she just smiled and held my hand
Rent a flat above a shop
Cut your hair and get a job
Smoke some fags and play some pool
Pretend you never went to school
But still you'll never get it right
'cos when you're laid in bed at night
watching roaches climb the wall
if you called your dad he could stop it all
yeah
You'll never live like common people
You'll never do whatever common people do
You'll never fail like common people
You'll never watch your life slide out of view
and then dance and drink and screw
because there's nothing else to do
Sing along with the common people
Sing along and it might just get you through
Laugh along with the common people
Laugh along although they're laughing at you
and the stupid things that you do
because you think that poor is cool
Like a dog lying in a corner
they will bite you and never warn you
Look out
they'll tear your insides out
'cos everybody hates a tourist
especially one who thinks
it's all such a laugh
yeah and the chip stain's grease
will come out in the bath
You will never understand
how it feels to live your life
with no meaning or control
and with nowhere else to go
You are amazed that they exist
and they burn so bright
whilst you can only wonder why
Rent a flat above a shop
Cut your hair and get a job
Smoke some fags and play some pool
Pretend you never went to school
But still you'll never get it right
'cause when you're laid in bed at night
watching roaches climb the wall
if you called your dad he could stop it all
yeah
You'll never live like common people
You'll never do whatever common people do
You'll never fail like common people
You'll never watch your life slide out of view
and then dance and drink and screw
'because there's nothing else to do
I want to live with common people like you.....

12 fevereiro, 2007

Há dias em que não se aprende nada.

E tenho tido demasiados desses...
Por isso, o silêncio.

Nem o recente referendo me fez avançar os pensamentos sobre o assunto numa ou noutra direcção. Embora tenha votado convicto.

Entretanto lá por fora, é divertido verificar que a candidata socialista à presidência francesa
supreeende tudo e todos ao propor um programa... de esquerda! A ousadia! Agora que o pessoal já começava a acreditar que esquerda era Blair e Sócrates e outros assim...

Do outro lado do atlântico aparecem também os candidatos do sistema. É triste pensar que o presidente actual é tão mau que qualquer um dos mais populares parece uma luminária. A fasquia baixou muito nos ultimos anos.

Enfim... umas coisas avulso só para dizer que estou vivo. Mas não muito.

02 fevereiro, 2007

Lápis azul

No que respeita ao aquecimento global nem sequer sou dos mais pessimistas. Embora muita gente queira fazer de conta que não vai acontecer nada, porque é sempre mais confortável lidar com um mundo cor de rosa, muitos estudiosos do assunto consideram que mesmo que se cessasem agora todas as emissões de carbono, o mundo continuaria a aquecer até ao final do século. Pode ser que sim. Pode ser que não.
O meu optimismo vem do facto de ter a secreta esperança de que o mundo do petróleo que conhecemos entre em colapso nos próximos 10 anos. Vamos ao ar, mas com um estoiro.

De qualquer modo é sempre interessante ver como se pode chegar a este estado de coisas. Já sabemos que a Casa Branca censurava relatórios relativos ao assunto, como o programa 60 minutos nos disse. Mais relatos em primeira mão vão chegando, de cientistas governamentais americanos que em nome de uma politica de "equilibrio" da informação, podiam usar a palavra Global e podiam usar a palavra Warming, em conferências, desde que não usassem as duas juntas.

Se houver uma catástrofe ambiental nos anos mais próximos, que coloque em risco a civilização tal como a conhecemos, será que nos dão autorização para linchar esta gente? Ou pelo menos julgá-los num tribunal por crimes contra a humanidade?



PS: E mesmo assim não desistem, como se pode ler hoje no Guardian.