Uma coisa que me deixa sempre infinitamente intrigado é a constatação de que as mulheres se queixam de que não há homens. Por vezes vem com um "de jeito" agarrado, o que ainda pressupõe que sim, que há mas não prestam, e aí ainda se pode colocar o ónus no irrealista grau de exigência de quem faz a afirmação... mas a verdade é que é assim, ao que parece cada vez há menos homens "elegíveis".
Tenho uma teoria:
Baseia-se em alguns factos psicológicos e sociológicos.
Facto psicológico: as mulheres escolhem o parceiro (depois da inteligência e bondade) por critérios de status, riqueza, estabilidade ou, se os parceiros forem demasiado jovens para os ter, pelo seu potencial para os adquirir.
(antes que as senhoras se revoltem, não estou a inventar nem a recorrer a clichés, refiro-me a um estudo feito pelo psicólogo David Buss em 37 sociedades diferentes um pouco por todo o mundo, pode ser consultado aqui)
Facto sociológico: há muito mais mulheres a ter a sua própria capacidade financeira, status, riqueza e estabilidade.
Facto Psicológico: Mulheres que têm essas qualidades continuam a procurá-las (na verdade ainda as valorizam mais) nos homens. A tendência é sempre para olhar para cima na escala social.
Facto sociológico (e económico e político): As sociedades modernas, nomeadamente a "ocidental" e Portugal talvez mais que o resto da Europa, estão cada vez mais polarizadas entre ricos e pobres, ou seja a faixa dos homens que se apresentam como elegíveis é progressivamente mais pequena, com o estreitamento das classes médias.
Já estão a ver onde estou a chegar... a culpa das mulheres não encontrarem homens que achem atraentes é do neo-liberalismo. De todos os males que aquilo traz ao mundo, acreditem que este não será o mais trivial.
Por outro lado, poucas coisas são tão passíveis de causar uma revolução como a defesa de um lugar na herança genética da espécie. As sementes da mudança podem estar nos testículos e ovários dos destituidos.
14 fevereiro, 2006
13 fevereiro, 2006
Rir
Uma pessoa sozinha ri trinta vezes menos do que na companhia de outros. Mas nesta segunda-feira de manhã, no meio de trinta pessoas, apetece tudo menos rir.
08 fevereiro, 2006
Há quinze anos, na rua do Carmo
O homem passou a mão várias vezes desde a nuca até ao princípio da testa, de quem vem de cima, percorrendo a calva. Face ao ar atónito do amigo respondeu-lhe, hesitante:
- Sabes... A minha cabeleira... estava farta...
- Sabes... A minha cabeleira... estava farta...
07 fevereiro, 2006
O Fenótipo Expandido
O titulo deste texto é a tradução directa do título daquela que Richard Dawkins considera a sua obra magna. O seu maior contributo para a ciência.
Vem ele a propósito de uma ideia que me andava a saltar dentro da cabeça mas que não havia maneira de assentar e ganhar uma forma que fosse minimamente apresentável. A ideia de uma ecologia das Culturas e da História. Ou seja, que cada modelo de sociedade, de organização, de desenvolvimento, tem origem e sucesso num certo contexto. Esse contexto é composto necessariamente pelas condicionantes naturais (recursos) e as culturas com que se relaciona, competindo ou não.
Isto tudo era uma tentativa de construir uma justificação para a intuição de que a imposição a nivel global de modelos económicos que foram bem sucedidos num certo contexto geográfico e histórico, acarreta consequências nefastas e deprimentemente previsiveis. O equivalente social de um "Prestige" ou "Exxon Valdez" à escala planetária. (O que de resto é menos metafórico do que se pensa, se considerarmos fenómenos como o da emissão de gases ou destruição de florestas.)
O Fenótipo Expandido pode ser a metáfora que procurava para explicar o que queria dizer. Para os menos familiarizados com esta terminologia convém explicar o que é um fenótipo. É um termo da genética que designa a manifestação de um gene, a sua tradução física. Como a cor dos olhos ou a hemofilia.
A definição clássica de fenotipo cingia-se ao corpo do indivíduo portador dos genes. A revolução conceptual que Dawkins propõe é que os genes que um indivíduo transporta manifestam-se também no ambiente, nomeadamente nos outros individuos.
Esta forma de pensar derruba a visão de unidades discretas com que normalmente se olhava a biologia. As fronteiras entre um individuo e o que o rodeia é menos marcada.
Transportada para a história, sociologia, economia, leva-nos a considerar como mais difusas as fronteiras do que chamamos cultura, sociedade, civilização. Uma visão defendida, por exemplo, por Andre Gunder Frank nas suas propostas para uma nova historiografia, onde ele defende a abolição dessas categorias.
Aqui parece encontrar-se uma contradição, se a primeira ideia, de "nicho ecológico", parece dar relevo e valor à diversidade da experiência humana, a segunda diz-nos que essa diversidade não é descontínua, e o que nos leva a desvalorizar as diferenças.
Mas é precisamente aí que se desfaz o paradoxo:
A unidade na diversidade. A diversidade na unidade.
A Humanidade é uma entidade plural. Uma só, e diversa.
Este post, que reconheço ser um pouco confuso, e já foi reeditado depois da primeira versão, mesmo que não diga nada a mais ninguém, ajudou-me a mim a perceber o que dizia Frank, ele sim, no seu livro ReOrient "Unidade na diversidade".
Vem ele a propósito de uma ideia que me andava a saltar dentro da cabeça mas que não havia maneira de assentar e ganhar uma forma que fosse minimamente apresentável. A ideia de uma ecologia das Culturas e da História. Ou seja, que cada modelo de sociedade, de organização, de desenvolvimento, tem origem e sucesso num certo contexto. Esse contexto é composto necessariamente pelas condicionantes naturais (recursos) e as culturas com que se relaciona, competindo ou não.
Isto tudo era uma tentativa de construir uma justificação para a intuição de que a imposição a nivel global de modelos económicos que foram bem sucedidos num certo contexto geográfico e histórico, acarreta consequências nefastas e deprimentemente previsiveis. O equivalente social de um "Prestige" ou "Exxon Valdez" à escala planetária. (O que de resto é menos metafórico do que se pensa, se considerarmos fenómenos como o da emissão de gases ou destruição de florestas.)
O Fenótipo Expandido pode ser a metáfora que procurava para explicar o que queria dizer. Para os menos familiarizados com esta terminologia convém explicar o que é um fenótipo. É um termo da genética que designa a manifestação de um gene, a sua tradução física. Como a cor dos olhos ou a hemofilia.
A definição clássica de fenotipo cingia-se ao corpo do indivíduo portador dos genes. A revolução conceptual que Dawkins propõe é que os genes que um indivíduo transporta manifestam-se também no ambiente, nomeadamente nos outros individuos.
Esta forma de pensar derruba a visão de unidades discretas com que normalmente se olhava a biologia. As fronteiras entre um individuo e o que o rodeia é menos marcada.
Transportada para a história, sociologia, economia, leva-nos a considerar como mais difusas as fronteiras do que chamamos cultura, sociedade, civilização. Uma visão defendida, por exemplo, por Andre Gunder Frank nas suas propostas para uma nova historiografia, onde ele defende a abolição dessas categorias.
Aqui parece encontrar-se uma contradição, se a primeira ideia, de "nicho ecológico", parece dar relevo e valor à diversidade da experiência humana, a segunda diz-nos que essa diversidade não é descontínua, e o que nos leva a desvalorizar as diferenças.
Mas é precisamente aí que se desfaz o paradoxo:
A unidade na diversidade. A diversidade na unidade.
A Humanidade é uma entidade plural. Uma só, e diversa.
Este post, que reconheço ser um pouco confuso, e já foi reeditado depois da primeira versão, mesmo que não diga nada a mais ninguém, ajudou-me a mim a perceber o que dizia Frank, ele sim, no seu livro ReOrient "Unidade na diversidade".
06 fevereiro, 2006
Porque sim.
Lendo uns posts abaixo, pode ver-se o que escrevi sobre algumas coisas que se sabem sobre o amor romântico. Nomeadamente que ele não é para entender, mesmo.
Pelos vistos, há coisas assim, que quanto menos se pensa nelas, mais nos dão. Melhor o usufruto.
Um curioso estudo colocou um conjunto de sujeitos face a quadros. Pediu-se a todos que escolhessem um favorito. A metade do grupo foi pedido que escrevessem em detalhe as razões da escolha, enquanto à outra metade não. E depois todos levaram os seus quadros favoritos para casa.
Passado umas semanas, foram feitas entrevistas a todos. Os que tinham sido chamados a dizer as razões da sua escolha mostraram muito menos satisfação e agrado do que os restantes, que continuavam encantados com o seu quadro.
Nestas coisas de gostar, parece que "Porque sim" é a melhor das razões.
Ou como diria o homem da anedota: "Gosto, porra!"
Pelos vistos, há coisas assim, que quanto menos se pensa nelas, mais nos dão. Melhor o usufruto.
Um curioso estudo colocou um conjunto de sujeitos face a quadros. Pediu-se a todos que escolhessem um favorito. A metade do grupo foi pedido que escrevessem em detalhe as razões da escolha, enquanto à outra metade não. E depois todos levaram os seus quadros favoritos para casa.
Passado umas semanas, foram feitas entrevistas a todos. Os que tinham sido chamados a dizer as razões da sua escolha mostraram muito menos satisfação e agrado do que os restantes, que continuavam encantados com o seu quadro.
Nestas coisas de gostar, parece que "Porque sim" é a melhor das razões.
Ou como diria o homem da anedota: "Gosto, porra!"
02 fevereiro, 2006
Words to live by
Alguém, algures na Internet escreveu isto acerca da felicidade:
"Don't try to feel great all the time - that's not the way life works"
"Don't try to feel great all the time - that's not the way life works"
01 fevereiro, 2006
Contra corrente
Através dos Prazeres Minúsculos, chega o seguinte desafio:
"Cada bloguista participante tem de elencar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem igualmente no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."
Cinco manias, hábitos que me diferenciem... Não sei se me diferenciam, porque não sei se as outras pessoas as fazem ou não.
1.
Além de ignorar todas as correntes que me chegam por e-mail também ignoro apelos, pensamentos poéticos, powerpoints com imagens tranquilas, e tudo o que tenha como assunto"Muito giro". A propósito, deste lado o jogo pára aqui, a não ser que um leitor ocioso o queira levar para o seu blog.
2.
Não mantenho plantas ou animais em casa. Já tenho a morte de um gerânio na consciência. Tudo o que lá vive é de sua livre e espontânea iniciativa.
3.
Quando espremo uma borbulha, ponto negro ou outra insubordinação cutânea olho sempre para o que ficou na unha. Ainda não sei se é uma curiosidade escatológica ou uma afirmação de poder.
4.
Quando saio de casa bato sempre em três partes do corpo diferentes. Pode parecer estranho, mas é só a confirmar a presença da carteira, das chaves e do telemóvel. Esta não me faz muito diferente, provavelmente.
5.
Quando ando na rua tenho sempre a sensação de que sou eu que me desvio do caminho das outras pessoas e nunca o contrário.
Se alguém quiser pegar no testemunho, esteja à vontade.
"Cada bloguista participante tem de elencar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem igualmente no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do "recrutamento". Ademais, cada participante deve reproduzir este "regulamento" no seu blogue."
Cinco manias, hábitos que me diferenciem... Não sei se me diferenciam, porque não sei se as outras pessoas as fazem ou não.
1.
Além de ignorar todas as correntes que me chegam por e-mail também ignoro apelos, pensamentos poéticos, powerpoints com imagens tranquilas, e tudo o que tenha como assunto"Muito giro". A propósito, deste lado o jogo pára aqui, a não ser que um leitor ocioso o queira levar para o seu blog.
2.
Não mantenho plantas ou animais em casa. Já tenho a morte de um gerânio na consciência. Tudo o que lá vive é de sua livre e espontânea iniciativa.
3.
Quando espremo uma borbulha, ponto negro ou outra insubordinação cutânea olho sempre para o que ficou na unha. Ainda não sei se é uma curiosidade escatológica ou uma afirmação de poder.
4.
Quando saio de casa bato sempre em três partes do corpo diferentes. Pode parecer estranho, mas é só a confirmar a presença da carteira, das chaves e do telemóvel. Esta não me faz muito diferente, provavelmente.
5.
Quando ando na rua tenho sempre a sensação de que sou eu que me desvio do caminho das outras pessoas e nunca o contrário.
Se alguém quiser pegar no testemunho, esteja à vontade.
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